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Divagando esquema tático sem compromisso

fevereiro 11, 2011

Em meu último post publicado, fui simplista ao abordar o tema ‘Lúcio: ala ou meia?‘. Em suma, pus o Grêmio para atacar e, de quebra, me passei ao não argumentar como seria a postura defensiva da mesma equipe. No futebol, o grande desafio de um técnico [não meu] é equilibrar as forças de defesa e de ataque. Por isso fui simplista.

Ao colocar em palavras a possibilidade de retorno do jogador Lúcio à lateral esquerda como algo a qualificar [ainda mais] o time de Renato Portaluppi – a quem compete tal tarefa de esquematizar jogadores -, o fiz pelo [único] ponto de vista ofensivo da equipe. Portanto, hora de ampliar a perspectiva e me fazer de entendido do esporte mais ‘palpitado’ no mundo. Porém, estou divagando ideias, não sou técnico de futebol e nem com ‘reza braba’ o nosso treinador gremista irá me ouvir. Não se preocupem.

Então, pouco importa o que vou escrever. Ainda sim, irei fazê-lo. Dica: quer beber da fonte de quem vive para decifrar esquemas, inventar sequências numéricas (4-4-2, 3-5-2, 4-3-3) e pôr setinhas para lá e para cá? Recomendo esse blog aqui e tem esse outro também. Boa sorte! Abaixo, minhas divagações.

Escalação: Victor [1], Gabriel [2], Paulão ou Mário Fernandes [3], Rodolfo [4], Lúcio [6], Fábio Rochemback [5], Adílson [8], Douglas [10], Escudero [11], Carlos Alberto [7] e André Lima [9].

A ordem [acima] é colocar em campo força máxima. A direção não contratou [depois de anos de espera] Carlos Alberto e Escudero para aquecerem a bunda no banco de reservas. Lógico que não! É seguindo esse pensamento que demorei horas fazendo esse esquema ‘maldito’ no limitado PhotoFiltre e coloquei toda esta qualidade ofensiva para jogar. O esquema está no 4-2-3-1 ou, por que não, 4-2-4 [não muda nada de importante]. É do perfil de Portaluppi tornar equipes ofensivas, e saiu da boca dele a frase “cara bom, no meu time, joga”.

O losango muda-se de lugar. Por incrível que pareça, quarta-feira à noite, na transmissão de São Luiz 0x1 Grêmio, pela RBS TV, o filósofo comentarista Maurício Saraiva falou sobre isso. O atual esquema tem na forma geométrica Roca, Adílson, Doga e Lúcio. Em um futuro aproveitamento de todos os reforços, se tornaria um losango de ataque e não mais de meio campo. Doga seria o cabeça, Carlos Alberto desceria [depende do ponto de vista] pela direita, Escudero pela esquerda e André Lima/Borges na ‘centroavância’.

Noto desde o ano passado a insistência da equipe em jogar pela esquerda. A ideia de volta com Lúcio para a lateral [ou ala] parte deste princípio. Existem duas razões para a equipe não explorar [muito] o lado direito de ataque: Adílson não tem ‘cacoete’ de atacar, logo não acompanha Gabriel que, à sua frente, tem Júnior Viçosa longe, muito longe para fazer combinação de jogadas. Já pelo outro lado, Fábio Rochemback gosta de dar umas bandeadas ao ataque e Bruno Collaço/Gilson tem o auxílio para apoiar de Lúcio, que sempre volta para buscar o jogo.

Aliás, com o recuo de Lúcio, se perde a desconfiança quanto à produtividade de Bruno Collaço [apesar do ótimo jogo na Libertadores] e Gilson, pois ambos não jogariam. E também, não veria mais necessidade de os volantes se aventurarem no ataque, mesmo saindo na boa, tendo meias armadores por lá. Roca e Adílson seriam ‘roubadores’ e ‘repassadores’ de bola, apenas. Lógico que, assim como ocorreu no segundo gol contra o uruguaio Liverpool, muitas vezes o volante ao roubar certa bola tem o campo à frente livre ou aparece em dada jogada como elemento surpresa.

Do possível futuro aproveitamento de Lúcio na lateral com Escudero como companheiro de lado de campo, a equipe gremista agregaria qualidade e manteria o mesmo sistema de jogo, apesar de o argentino não ser um velocista como é o atual ‘meia’. Isso vale para o ataque, bem como para a defesa. Sem contar que, e repito pois já falei no post anterior, não me sai da memória a dupla Lúcio & Carlos Eduardo de 2007 – quem sabe uma repetição? Do também possível losango de ataque, além de contar com só fera no meio campo, Douglas teria parceria e não jogaria, por vezes em jogos, isolado no meio campo. Carlos Alberto poderia jogar ali pela direita, ao que parece.

No treino de ontem, Portaluppi foi mais longe. Utilizou-se de único volante – Willian Magrão -, mais o trio de meias [Doga, C.A. e Escudero], que contemplavam o losango, tendo no ataque Júnior Viçosa e André Lima. Isso [sim] seria um suicídio. É um demasiado risco jogar com um só volante à frente da zaga, ainda mais no Grêmio. Muitos torcedores queriam um volante camisa 5 nato, à la Dinho, porque por mais volantes que tenhamos, nenhum é cão de guarda [o velho centromédio]. Diante disso, vejo necessidade de dois volantes. Entretanto, creio ser apenas mais um teste do nosso treinador. Nada mais que isso.

Terminado [a princípio] os argumentos do esquema ofensivo, hora de tratá-lo de modo defensivo. A ideia se baseia no que já ocorre na atual escalação. Como tentei me fezer entender, o recuo de Lúcio não altera [muito] o esquema tático de hoje. É uma peça a mais no ataque, com cultura ofensiva, sendo protegido seu avanço pela ‘volância’. Fora que nem Bruno Collaço [repito: apesar do bom início de ano] nem Gilson são garantias de boa marcação. Assim como ano passado com Fábio Santos. A única perda seria uma incógnita: a velocidade de Lúcio no aproveitamento de contra-ataques.

Quando não estamos com a bola, há o natural recuo da equipe e a marcação sob pressão à zaga adversária. André Lima, normalmente, recua mais que Douglas, que torna-se o jogador mais adiantado da equipe. Na direita e esquerda, Júnior Viçosa e Lúcio, respectivamente, recuam e marcam adiantados.

No esquema desenhado acima, o bloco de marcação seguiria o mesmo padrão. Com jogadores de características tão ofensivas, se torna necessário ganhar a bola no erro adversário: seja no ataque, na roubada de bola, ou em nossa defesa, pois bola rifada dos outros [ligação direta] é bola recuperada para nós. Não há sacrifício em fazer isso. Os atuais jogadores já o fazem.

A ‘volância’ seguiria com seu papel, e mais exclusivamente esse papel, de resguardar o meio campo e proteger a cabeça de área. O mesmo ocorreria com os alas, que protegeriam os lados do campo. Uma roubada de bola por um desses marcadores, possibilitaria um contra-ataque com três opções de armação [pela direita, pelo meio e pela esquerda], e não somente duas [meio e esquerda, pois Viçosa não tem a ‘manha’ de armar e sim de realizar atividade-fim]. Há que se resaltar que muitas vezes é o volante que sobe e, em caso de contragolpe, não volta para recompor a zaga. Isso seria precavido.

Enfim, a ideia está esmiuçada. Posso ter me passado em alguma coisa de tática [algum descuido], mas o fato é que a dor de cabeça e insônia estão com Renato Portaluppi. O que nosso treinador decidir, daremos crédito e apoiaremos. Queremos é a Copa, não importando esquema tático.

Aguante, Grêmio!

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5 Comentários leave one →
  1. fevereiro 11, 2011 10:14 pm

    Belo post! Também gosto de estudar análise tática. Se me permite, gostaria apenas de corrigir dois pontos:

    * O esquema que tu desenhou é um 4-2-3-1 mesmo. Não um 4-2-4.

    * Como o Santo Portaluppi já deixou claro, Mário Fernandes é lateral-direito. E eu concordo com o Santo. No meu ponto de vista, Mário é um baita jogador, o melhor potencial técnico que temos. Entretanto, possui duas deficiências graves para ser titular na zaga: bola aérea e porte físico. Na minha humilde opinião, ele precisa encorpar mais (vejam o Neuton como exemplo). Não me xinguem, como disse, ele é o zagueiro mais técnico do elenco. Mas ele ainda precisa maturar…

    • Rodrigo Rodrigues permalink*
      fevereiro 12, 2011 1:05 pm

      Xará,

      – Sabia que era 4-2-3-1, foi só uma brincadeira.
      – Mário Fernandes precisa encorpar, assim como aquele David Luiz (falo pela semelhança dos dois).
      – O Paulão vem dando uns sustos na bola aérea.
      – Meu medo é que nosso treinador opte por Vilson, prefiro Paulão mil vezes. Ainda sim, acho que Mário Fernandes se adaptaria.
      – Gosto de jogador técnico, contrariando aqueles que acham que o melhor é ter na zaga um de ‘catêga’ e outro ‘tosco’ (como Baidek e De León).
      – Jogador se matura em campo. Se tem potencial, ignora-se o fato da juventude.

      Abraço.

  2. Luiz Carlos permalink
    fevereiro 13, 2011 12:49 pm

    Sinceramente eu prefiro o Júnior Viçosa no lugar do Borges. Acho que esse guri tem um baita potencial e o Borges me parece um pouco pesado, lento.

    • Daniel permalink
      fevereiro 13, 2011 8:21 pm

      Nenhum dos dois deveria jogar nessa posição, principalmente o Borges. Ele é centrovante de referência, faz a mesma função do André Lima, apesar de ter características diferentes (o primeiro trabalha melhor se posicionando, fazendo paredes/pivôs, o segundo se antecipando aos zagueiros, principalmente nas bolas aéreas). O ideal seria ter um atacante rápido pra fazer companhia a um dos dois, mas o Jonas se mandou e o Clementino perdeu seus “poderes”. Só nos resta esperar pelo “argh”entino ou pelo Cazalberto.

  3. leonardoo permalink
    julho 3, 2011 2:52 pm

    QUAL SERIA A MELHOR FORMAÇÃO PARA O GRÊMIO ??
    4-4-2 OU 3-5-2 ??

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