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Ação e reação

janeiro 22, 2011

Mesmo com vaias, Jonas garantiu a vitória tricolor (Foto: Fabiano do Amaral / Correio do Povo)Vaiado, Jonas garantiu a vitória tricolor (Foto: Fabiano do Amaral / Correio do Povo)

Jonas é um daqueles casos de superação no futebol. Moeda de troca no começo do ano passado, quando quase foi trocado pelo então lateral do Goiás, Vitor, o artilheiro da edição 2010 do Brasileirão chegou a ser negociado com o Náutico, mas no final das contas ficou em solo gaúcho. Queria defender o Grêmio, apesar do Grêmio não fazer muita questão de tê-lo em seu grupo, especialmente após as absurdas chances de gol que Jonas perdera nos jogos da Libertadores 2009.

O artilheiro, porém, deu a volta por cima. Reergueu-se diante das críticas e hoje é a referência ofensiva no time. Empilhando gols, começou 2011 com a bola toda. Literalmente. Um gol diante do Lajeandense e mais dois, ontem, diante do São José/POA. Só que a torcida, ao invés de aplaudir, ofuscou a beleza dos gols de “mestre Jonas” com vaias. Muitas vaias. Vaias que surgiram da Social, passaram pelas cadeiras e terminaram lá nas arquibancadas. Mas a Social foi, sem dúvida, o setor do estádio que mais vaiou Jonas. Enquanto nos outros setores do estádio as vaias eram parcialmente abafadas por aplausos e gritos de apoio ao time, na Social a barra estava pesada. Jonas recebeu vaias, dedos em riste e todo tipo de xingamento irreprodutíveis aqui.

A torcida tem razão. Jonas tem razão. Ambos, porém, perderam a razão. Como? Explico: o torcedor vaiou uma atitude errônea de Jonas. Mas não errou ao vaiar quando o time errava passes desordenadamente, quando as finalizações não ocorriam da maneira certa e quando Jonas, o personagem central desta trama, não aparecia onde deveria. Às vezes só uma vaia pesada faz o time acordar. Ainda mais diante de um adversário fácil de ser batido. E foram essas vaias que acarretaram a demonstração de indignação de Jonas. Houve a ação e, instantaneamente, a reação. Uma coisa puxou a outra. Jonas ainda marcou outro após ser soterrado pelas vaias.

A ação e a reação até são compreensíveis. Só que poderiam ser evitadas.  A torcida precisa ter um pouco mais de calma com o grupo. Foi apenas o terceiro jogo que o Grêmio disputou. Vaiar tão precocemente não adianta de nada. Independente de quem vaia, a ação até pode ser compreendida, mas o torcedor precisa saber que isso gerará uma reação. Assim como Jonas precisa aprender a conviver com essas vaias. Foram elas que lhe deram confiança e motivação para superar todas as dificuldades que tinha aqui, inclusive a mais fundamental para um artilheiro: fazer gols.

E pra quem acredita em coincidências, aí vão duas:

A primeira – Há exatos 30 anos, em 21 de janeiro de 1981, o Grêmio vencia o inexpressivo Galícia por 2×1. A vitória não agradou o torcedor que, no final do jogo, vaiou o time. Meses mais tarde, o Grêmio erguia a taça de Campeão Brasileiro;

A segunda – talvez nem seja uma coincidência, mas serve como lembrança. A exemplo de Jonas, em 1984 nosso atual técnico Renato Portaluppi, um ano depois de nos dar nosso principal título da história, também passou por um atrito com a torcida. Foi xingado e chamado de “mercenário” por alguns torcedores no pátio do Olímpico. A “resposta” de Renato aos xingamentos foi até mais ríspida do que a de Jonas.

Mas isso tem que ser esquecido. O Grêmio entrará numa semana decisiva neste ano que se inicia. A estreia na Libertadores, diante do Liverpool/URU, deverá garantir ao Grêmio a classificação para a fase de grupos da competição mais visada pela torcida. E tudo tem que estar em perfeito encaixe. Qualquer rusga pode atrapalhar a concentração da equipe. Mesmo sendo um adversário de pouquíssima expressão, precisa ser respeitado. Toda atenção ao time uruguaio é essencial. E o apoio do torcedor é uma peça fundamental na conquista do Tri da América.

A vitória no Uruguai e aqui no Olímpico passam pela harmonia do time com a torcida.

O time faz sua parte e a torcida aplaudindo. Se o time errar, a torcida vaia. Não pode ser ao contrário.

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3 Comentários leave one →
  1. Daniel permalink
    janeiro 22, 2011 10:58 pm

    Discordo dessa história de que vaias acordam o time, do jeito que você fala até parece que o time errava os passes e as finalizações de propósito e só acertou porque foi pressionado. O Jonas fez os gols porque tem capacidade pra isso, mas não quer dizer que ele vai acertar sempre, até porque tem um time com 10 jogadores na linha e um goleiro embaixo das traves, tão dispostos a vencer quanto o Grêmio, do outro lado. Não é porque a torcida manda que os jogadores vão passar por cima dos adversários como se eles não existissem.

    Pra mim, vaiar o time é coisa de quem não tem amor pelo clube. Torcedor egoísta que pensa no Grêmio como um investimento e não como um objeto de paixão. Quer as vitórias só pra se sentir recompensado pelo dinheiro gasto e não pelo bem do Tricolor. Isso não é ser gremista!

  2. jean permalink
    janeiro 22, 2011 11:23 pm

    tambem acho e comcordo com o daniel pra min vair nao adianta até porque estamos falando do gremio o gremio nao se entrega mas estamos com problemas nao por nossa culpa mas contundidos e desconfianças em contrataçoes de pouco nome para jogar no gremio mas vamos com esse grupo nao éra o que eu queria para o gremio verdadeiramente mas tambem nao desprezo o time é bom tambem apostando bastante na base . vamos todos juntos chega de vais nos precisamos nos unirmos para ganharmos o tri da américa e bi mundial seja o que for nos temos que pensarque estamos falando aqui do maior do brasil o gremio é o maior nimguem tem essa paixao que nos temos vamos todos juntos em busca do tri da américa.

  3. Geraldo permalink
    janeiro 23, 2011 12:56 pm

    Vaiar o time não vai adiantar nada. Nós torcedores temos que torcer, apoiar e não jogar contra. Jonas agiu dessa forma porque não se sentiu apoiado. Todo o trabalho que foi feito no ano passado não conta mais agora? Como você acha que um jogador como o Jonas iria se sentir. Depois de fazer uma grande temporada, de fazer uma campanha histórica, saindo da zona de rebaixamento e chegando na Libertadores. Inicia o ano seguinte e o time todo é vaiado dentro do Estádio Olímpico. Se o Jonas explodiu e agiu dessa forma, ele teve motivos. Portanto, depois desse infeliz episódio, espero que a torcida tricolor vá para o Estádio para apoiar, ovacionando o seu time e os seus jogadores. Na boa ou na ruim Grêmio sempre!!!!!!!

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