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Traffic: uma parceria necessária, mas que requer cuidados

dezembro 4, 2010

A parceria entre Grêmio e Traffic deve ser anunciada na próxima semana ou quando Paulo Odone assumir a presidência do Grêmio, no dia 15 de dezembro. Diante das últimas notícias, o acordo entre as duas partes praticamente está fechado, bastando apenas oficializá-lo. Tanto que já ocorreram encontros entre o presidente eleito e o chefe da maior a maior agência de marketing esportivo da América Latina, J. Hawilla.

O grupo administra a carreira de mais de 90 atletas brasileiros (alguns deles podem ser vistos neste fórum). Segundo Zini, a empresa ofereceu quatro modelos de negócios. Por sua vez, o Grêmio ofereceu o quinto. O jornalista, porém, não passa a informação de como são esses cinco modelos em mesa.

Ainda conforme informações passadas pelo jornalista, o futuro diretor de futebol, Antonio Vicente Martins, viaja ao Rio de Janeiro na próxima semana, para encontrar Fernando Gonçalves, um dos executivos da empresa, para tratar de jogadores, nomes, contratações. Logo, a parceria parece existir, bastando apenas o anúncio oficial.

Ao mesmo tempo em que restam alguns detalhes para formalizar a nova parceria com o Grêmio, a Traffic não é unanimidade no Palmeiras. Pelo contrário, a empresa de marketing esportivo já sofre grande rejeição por parte da torcida palmeirense e por dirigentes no Palestra Itália, que desejam mudar os moldes de contrato entre as partes.

O Palmeiras está cansado de receber jogadores de categoria questionável e deseja que a parceria resulte em atletas que realmente resolvam. Parte da torcida está impaciente, pedindo o fim da parceria. Em um dos protestos, torcedores colaram cartazes nos muros do Palestra Itália, com os dizeres “Fora Traffic – Fim ao tráfico de jogadores no Palmeiras.”

A Traffic firmou parceria com o Palmeiras no fim de 2007. Desde então, o clube alviverde conquistou o título do Campeonato Paulista, no ano seguinte. Mas tal conquista foi muito pouco para o tamanho da esperança palmeirense com o início desse trabalho conjunto. O Palmeiras segue a sua fase sem grandes conquistas e atritos entre torcedores e jogadores viraram rotinas.

Foto: R7

O clube paulista chegou a ter 14 jogadores com vinculados à empresa, mas esse número foi reduzindo com passar do tempo. Atualmente, no time titular, somente o Danilo, Fabrício e Dinei têm parte de seus direitos ligados à agência. O time mais caro montado pelo grupo e Palmeiras foi o do 1º semestre de 2009, com Keirrison, Danilo, Diego Souza, Cleiton Xavier, entre outros.

Porém, o time alviverde novamente mostrou instabilidade e jogadores como Keirrison, que teve um início animador, não se recuperou dentro do ambiente palestrino e deixou o clube. Para piorar, o Palmeiras perdeu a vaga para Libertadores jogando no Palestra Itália, diante da derrota sofrida Botafogo, na última rodada daquele Brasileirão de 2009 (aliás, bom alerta para o jogo de deste domingo).

Existem ainda informações de que a Traffic se intrometia no comando do futebol do Palmeiras. De acordo com um informante palmeirense (que pediu sigilo absoluto), a parceira não queria Valdívia no clube em 2008, para não ofuscar Diego Souza. Coincidência ou não, o chileno foi vendido no mesmo ano para o Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, dando espaço para Diego se firmar no meio-campo alviverde.

O plano da Traffic era óbvio. Não convinha a ela deixar um jogador, no qual seus direitos não a pertenciam, tomar terreno de outro que possui o vínculo com a empresa. Afinal, como Diego Souza seria vendido para Europa sem brilhar no Palmeiras e tendo Valdívia com o papel de destaque? Com a saída do El Mago, o grupo teve seu desejo cumprido.

No entanto, não estavam nos planos da empresa os atritos de Diego Souza com torcida palmeirense. O estopim ocorreu no primeiro semestre deste ano, no jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil contra o Atlético-GO, quando o jogador respondeu às provocações das arquibancadas com xingamentos e um gesto obsceno.

Sem o pedido de desculpa do meia, a diretoria do Palmeiras decidiu afastá-lo. A Traffic, por sua vez, esperou por uma boa proposta, mas não conseguiu negociá-lo ao futebol estrangeiro. Sem obter sucesso na tentativa de vendê-lo e assim obter retorno financeiro por sua compra no começo de 2008, o destino de Diego Souza foi o Atlético-MG.

Foto: Cesar Greco / Foto Arena

Além disso, existem informações de que o grupo teve papel fundamental na demissão de Muricy Ramalho, como também realizou empréstimos ao Palmeiras, ampliando as dívidas do clube. A empresa também teria envolvimento na insistência de Luxemburgo em manter o lateral-direito Fabinho Capixaba durante um ano, contrariando parte da torcida.

A Traffic exigia ter jogadores de qualidade duvidosa no Palmeiras, em troca de um Diego Souza, de acordo com o informante palmeirense, assim usando o clube como barriga de aluguel ou vitrines. Luxemburgo e o então diretor de futebol, Gilberto Cipullo (foto acima), compactuavam com os desejos da parceira.

Em quase três anos de parceria entre a Traffic e Palmeiras, passaram bons jogadores no Palestra Itália, como o zagueiro Henrique, Diego Souza, Keirrison e Cleiton Xavier. Mas passaram outros atletas de nível técnico contestável, como Maicosuel, Lenny, Paulo Miranda, Fabinho Capixaba, Jefferson, Evandro, Sandro Silva, Jumar, Rivaldo, entre outros.

Apesar de tudo isso, a ideia de ter a Traffic como parceira do Grêmio agrada, principalmente porque o clube tem todas as suas receitas adiantas e precisa de uma parceria para ter um time competitivo, seja visando à Libertadores ou a Copa do Brasil e Brasileirão. Então por mais que o histórico da parceria com o Palmeiras seja ruim, considero a necessidade de fechar esse acordo, mas com alguns cuidados.

O que me agrada é que surgem notícias de que os moldes da parceria entre Grêmio e Traffic serão diferentes em relação ao existente com o Palmeiras. A nova direção não pode cometer os mesmos erros que ocorreram em São Paulo, ao perder parte da autonomia na gestão do futebol. Tampouco permitir que a empresa interfira nas categorias de base.

O Tricolor também não pode aceitar ser barriga de aluguel para jogador de qualidade duvidosa. As nossas categorias de base, se bem trabalhadas, formam grandes atletas, portanto, não precisamos de jogadores “meia-boca” como se o clube fosse vitrine. A diretoria precisa exigir da parceria jogadores de qualidade, aqueles que chegam para serem titulares. Se isso vier a ocorrer, então o Grêmio sairá ganhando com a Traffic.

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2 Comentários leave one →
  1. Daniel permalink
    dezembro 4, 2010 7:48 pm

    Não gosto nem um pouco dessa parceria com a Traffic, mas prefiro confiar na inteligência e no pulso firme do Odone pra não deixar eles se ingerirem na administração do Tricolor. Se alguém tentar se meter a besta com o Grêmio, que ele aprenda com o Renato e mande calar a boca.

  2. borracho permalink
    dezembro 9, 2010 1:27 pm

    Muito bom o post, vale lembrar tambem q o TRAFFIC fez de tudo pra nos roubar o campeonato brasileiro de 2008…

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