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Batalha dos Aflitos: o que aproveitar e evitar

novembro 25, 2010
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O dia 26 de novembro de 2005  foi um dia único para o torcedor gremista. A Batalha dos Aflitos foi um episódio especial e acredito que cada um tenha uma história para contar. Este mesmo que lhes escreve quase perdeu uma prova de processo seletivo para esperar o apito final dessa partida. Contudo, completados cinco anos, avalio que se pode tirar proveito daquela vitória do Grêmio por 1×0 diante do Náutico, assim como também penso a respeito do que deve ser evitado.

Racionalizar a história que envolve A Batalha dos Aflitos pode ser um anti-clímax perante o clima festivo da torcida e o ato de heroísmo dos sete homens que estavam em campo quando o Grêmio fez o gol que lhe devolveu a Série A. Embora seja verdade afirmar que o Imortal teve mais sorte do que juízo naquele episódio, pode ser estranho para os gremistas, principalmente os mais novos, lerem tal afirmação.

Mas o grande mal daquela vitória diante do Náutico foi inserir na cabeça dos jovens torcedores e até mesmo dos dirigentes, que o Grêmio poderia tudo, mesmo não contando com um time qualificado para pretensões mais altas. Foi nesse espírito que Paulo Pelaipe fez a infeliz declaração na final da Libertadores de 2007, ao soltar a célebre frase “Boca é um Caxias de grife”, após perder a primeira final por 3×0.

Por mais que seja um fato histórico e digno de orgulho, a verdade é que seria muito mais preferível que o Grêmio não tivesse de passar por aquilo. A Batalha dos Aflitos é sim um importante episódio da nossa história, mas veio por um descenso para Série B em 2004, o que a faz não ser comparada às maiores façanhas do clube, como Mundial Interclubes, Libertadores, Brasileiro e Copa do Brasil.

Não sou contra o mito em torno do que ocorreu naquele 26 de novembro, pelo contrário, é merecido diante às circunstâncias. Afinal, o Grêmio venceu com um time formado por sete jogadores, num estádio completamente inóspito e sem condição de segurança alguma, somada à truculência habitual da polícia pernambucana. Portanto, vejo sim como um ato de heroísmo nessa vitória.

Apenas não concordo com algumas consequências que surgiram logo depois, tanto aos dirigentes e como aos torcedores. O Grêmio tem como tradição de privilegiar a raça de seus atletas, mas enganam-se aqueles que isso é o bastante para torná-lo grande. Faltou técnica para levantarmos as taças da Libertadores em 2007 e do Brasileiro em 2008. Além disso, prefiro muito mais batalhas como a de La Plata em 1983 ou os duelos inesquecíveis contra Palmeiras em 1995, do que repetir a Batalha dos Aflitos em 2005.

Não é a minha pretensão desvalorizar o incidente, não me entendam mal. Sinto orgulho pela garra que o Grêmio demonstrou, mais ainda pela frieza de Galatto ao defender aquele pênalti e da técnica e raça de Anderson para balançar as redes. Espero que o Marketing aproveite, faça um evento homenageando os personagens deste jogo e chame o torcedor gremista para se associar ao clube.

Trata-se de um capítulo da nossa história que se for bem aproveitado, pode ser transformado em mais arrecadações aos cofres do clube e novos sócios. Todavia, a Batalha dos Aflitos não se pode transformar uma referência do Grêmio dentro de campo. Precisamos de times mais técnicos para concretizar grandes pretensões em grandes títulos.

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20 Comentários leave one →
  1. novembro 25, 2010 4:25 pm

    Perfeito!!! Penso o mesmo!!!

    A batalha dos aflitos é um momento especial de nossa história. Mas não é do tamanho do grêmio. Quero ser lembrado como torcedor do time que ganhou várias libertadores, mundiais, brasileiros da série A, e não como torcedor do gremio que voltou da série B de forma heróica, mesmo que isto tenha sido um momento de muita emoção para mim e para todos os gremistas acredito.

  2. novembro 25, 2010 4:35 pm

    Técnica à frente de raça. Isso é básico. Mas pra torcida do Grêmio é diferente.

    Tempos atrás, únicamente a garra podia ser o diferencial. No futebol moderno, definitivamente, não.

    O casamento dessas duas virtudes faz um time campeão. Realmente, desde 2001, a técnica vem sendo deixada de lado pela torcida que clama por um time guerreiro. O resultado nós conhecemos.

    Atualmente, jogadores como Douglas, claramente diferenciados, ainda são tratados de forma diferente e menosprezados por uma pequena parcela da torcida devido ao fato de não serem violentos, brigadores ou beijarem o escudo. Enquanto isso, os Adílsons da vida (com o perdão dos que o admiram) são idolatrados.

    • Daniel Alves permalink
      novembro 26, 2010 1:09 pm

      Adílson joga muito!!!!!!!! se vc tivesse citado o Dinho tudo bem, mas o Adilson não né.

  3. novembro 25, 2010 6:09 pm

    Assino embaixo de cada palavra deste texto.

  4. observador permalink
    novembro 25, 2010 7:17 pm

    Bah escreveu o q penso exatamente,não podemos deixar q A BATALHA DOS AFLITOS seja maior do q O MUNDIAL,O BI DA LIBERTADORES,ou outro feito inédito do TRICOLOR q é ser o ÚNICO TIME A GANHAR 3 COPAS DO BRASIL DE MANEIRA INVICTA(claro q sei q somos tetra dessa competição)a batalha..serve como um alerta aopenas e só isso!!

  5. giovani montagner permalink
    novembro 25, 2010 8:45 pm

    devemos comemorar pelas circunstancias que o cercam, mas o sofrimento do jogo e daquele campeonato inteiro nunca mais quero passar.

  6. observador permalink
    novembro 25, 2010 9:31 pm

    É verdade,tudo pro Gremio parece ser sempre mais dificil,lembro daqwelas qartas de final…naqela epoca subiam só 2 hj sobem 4!!

  7. novembro 25, 2010 11:04 pm

    A Batalha dos Aflitos não é maior que outras conquistas brilhantes do Grêmio, apenas entendo que ela mostra toda a grandeza de um clube que em seu momento mais negro, terrível e vexatório, entrou para a história do futebol mundial.

    Esse é o mérito e uma das lições que esse episódio narra.

  8. Rodrigo Diniz permalink
    novembro 26, 2010 1:50 am

    Eu sou gremista fanático e infelizmente não vi o mundial de 1983 (nasci em 85). Eu só queria saber uma coisa: por que a FIFA não reconhece o nosso mundial? Por que na página da FIFA não encontramos nosso escudo?
    Esses dias eu estava pesquisando a imagem da taça de 1983 e vi que dizia: COPA TOYOTA. Por que não se chamava MUNDIAL DE CLUBES? E tem um mapa da América do Sul e um mapa da Europa com o dizer: SUDAMERICAN Vs. EUROPAN … E quando eu fui no museu do imortal tinha um mapa da América do Sul + América Central + América do Norte + África + Ásia + Oceania dando a entender que todos os continentes participaram.
    Alguém poderia me responder o porquê destas contradições? Eu não quero mentiras e o que a RBS inventa… Eu quero a verdade! Não aguento mais ouvir meus amigos dizer uma coisa e a mídia repetir a mesma coisa e não encontrar fatos históricos que comprove que sou campeão do mundo. Por favor alguém me ajude. Obrigado.

    • novembro 26, 2010 9:56 am

      Rodrigo, serei um pouquinho grosso, mas me perdoe. Primeiro, você está me parecendo colorado. Segundo, desvirtuou completamente o tema proposto pelo post. Terceiro, também nasci em 1985, mas nem por isso sou preguiçoso em não pesquisar por vídeos ou leituras sobre o que ocorreu antes. Afinal, o mundo não começou com meu nascimento.

      Tampouco vou ficar debatendo pela milésima vez, já debati com vários colorados intrometidos neste blog. Não precisei de imprensa brasileira e menos ainda da FIFA, que por razões comerciais (óbvio) não reconhece a Copa Intercontinental como Mundial Interclubes. E outra, estou me lixando para isso.

      Então, saia da inércia e pesquise. Se não ficar feliz ou não agüentar mais as brincadeiras dos seus amigos, torne-se colorado, aproveite o “Mundial FIFA”. Não perderei mais meu tempo com esse debate bobo.

    • Daniel permalink
      novembro 26, 2010 2:24 pm

      Contradições do futebol = Dinheiro. Se e FIFA não ganhou nada com o campeonato, não tem valor pra ela. Para os torcedores (do futebol de verdade, não de empresas disfarçadas de times) o que vale é a história, não a matemática. Se pela lógica da FIFA, Gabiru é um craque de nível mundial, enquanto Pelé, Zico e Renato não são, acho que já dá pra ter uma idéia do quanto essa entidade é “confiável”.

  9. novembro 26, 2010 2:31 am

    HP, Adilsons da vida são idolatrados porque não vejo um volante de marcação demonstrar tanta garra e ter tanta vontade em campo quanto ele, apesar da sua carência na saída de bola, mais precisamente, no passe.

    Ele é um jogador que marca bem e ajuda a defesa, Adílson é titular e sempre será no Grêmio que eu imagino.

    • Daniel Alves permalink
      novembro 26, 2010 1:13 pm

      é isso aí Rennan, tô contigo e não abro. pra mim é Victor, Adílson e + 9. jogador violento é o Materazzi. rsrs

      • novembro 27, 2010 10:34 am

        Jogador violento é o Muntari.

  10. observador permalink
    novembro 26, 2010 12:03 pm

    Bah Bruno não seja ingenuo amigo, o cara é colorado com certeza….só dizer o seguinte: o futebol mudou muito,e pra pior,o corinthians é reconhecido pela fifa num mundial fajuto(o corinthians nunca ganhou libertadores e é campeao do mundo)libertadores tendo final de brasileirao,times convidados da america central q se forem campeos da libertadores,o vice é q vai pro mundial….tá bom santos de pelé,flamengo de zico,GREMIO DE PORTALLUPI não sao reconhecidos pela fifa,heheh q moral tem essa entidade então??

  11. novembro 26, 2010 12:42 pm

    E para os teimosos de plantão, que falavam que se a LDU passasse iria vaga pro segundo colocado, aqui uma reportagem do Terra…
    http://esportes.terra.com.br/noticias/0,,OI4793316-EI1137,00.html
    FIM DE PAPO! KKKKKKKKKKK

  12. Adail permalink
    novembro 26, 2010 3:53 pm

    Concordo com o texto, a batalha dos aflitos entrou para a história do futebol mundial é ficará eternizada na memória de todos gremistas que presenciaram aquele episódio, mas está na hora de termos conquistas que nos levem ao topo do Brasil e da América e não ficarmos apenas na lembrança deste jogo!!!

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