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Entrevista com a Renova Tricolor

setembro 9, 2010

1- A administração do presidente Duda Kroeff não agrada grande parte dos torcedores, principalmente no que refere ao futebol. Mas existem pontos positivos da atual gestão que a chapa pretende levar adiante no próximo mandato?

Muito pouco pode-se considerar da Gestão Duda Kroeff. Um trabalho que daremos continuidade é o da quitação das dívidas e do condomínio de credores. Ele teve início na gestão Paulo Odone em 2005 e vingou de tal forma que o processo continuou mesmo trocando de gestão. Talvez o único que teve continuidade.

Outro trabalho que com certeza terá continuidade o planejamento estratégico. Infelizmente ele ficou parado em 2009, e foi retomado e revisado agora, devendo finalizar a elaboração em outubro ou novembro de 2010. Caberá a nova gestão a execução dele, o que com certeza faremos.


2- Como se dará esse processo de profissionalização da gestão e por qual razão se demora para ser aplicada no Grêmio?

Como muitos falam, o Grêmio possui uma cultura secular de gestão, baseada em seus grandes expoentes. A palavra economia interna sempre foi muito seguida na gestão. Contudo, hoje não existe mais espaço para a economia interna e gestão baseada em pessoas que se doam. O futebol é um negócio que vem se profissionalizando há 30 anos. O estatuto do Clube foi reformado em 2004, pensando justamente na aceleração do processo de profissionalização. Ele propõe um modelo muito moderno, mas ainda não seguido, onde existe um conselho de administração formado por um presidente e 6 vices. Estes não possuem cargos, nem responsabilidades específicas sobre áreas. Para isso acontecer, o Clube deve montar uma estrutura executiva independente da política, tendo não apenas pessoas contratadas, mas profissionais de alta qualidade e experiência gerenciando todas as áreas (marketing, finanças, RH, jurídico etc.), incluindo o futebol. Não existe mais espaço para a abnegação. E é esta a principal barreira a ser rompida. Ter profissionais gabaritados no executivo e não ter abnegados. Ser abnegado pelo Clube, qualquer um pode ser. Quem pode se julgar mais gremista que outro gremista? Porém, podemos julgar as pessoas pelas suas competências. Infelizmente em 2009-10 tivemos o rompimento do processo inicializado em 2005, tendo a demissão ou a não ambição do Grêmio em manter os executivos que estavam mudando a cara do Grêmio. Os resultados acabam se refletindo em campo, cedo ou tarde. Queremos reassumir para poder retomar este processo com afinco.


3- Uma das metas do grupo é a aplicação de urnas no interior do Rio Grande do Sul, ampliando o número de eleitores do Grêmio. Qual o prazo que a chapa se propõe a implantar essa meta e como será feita?

Propusemos isso desde 2007. Infelizmente o Conselho do Grêmio foi moroso neste processo. Apesar de todos grupos terem o discurso de quererem a democracia, muitos colocam entraves. É inadmissível não haver urnas no interior, pois não existem complexidades. Basta haver bom alinhamento entre o Clube e o TRE Estadual, para a utilização das urnas eletrônicas, com um planejamento e programação estruturado. Assim sendo, ao Clube, basta ter um banco de dados bem estruturado, limitando seus sócios a votarem onde residirem. Pretendemos fazer valer esta proposta imediatamente após o término das eleições atuais, para garantir que o máximo de sócios do Estado possam votar nas próximas eleições, no final de 2012.


4- O Grêmio também tem sócios fora do Rio Grande do Sul. A chapa pensa também em incluir esses torcedores no processo eleitoral por meio da internet?

Nossa intenção é que qualquer gremista que seja sócio e tenha os pré-requisitos necessários, possa votar. Seja em Porto Alegre, na Europa, no Japão ou na Lua. Com certeza é um processo complicado mundializar as eleições, pois necessita-se de alta tecnologia, com grande confiabilidade, disponibilidade e agilidade. Lutaremos para que o Conselho trabalhe com empenho para que qualquer sócio no mundo possa votar.


5- As obras da Arena começarão no próximo dia 20 de setembro e tende a ser um marco histórico para o clube. Mas não falta uma ação de marketing mais atuante em torno da nova casa do Grêmio, principalmente com a finalidade de atrair mais sócios?

Com certeza falta. A Grêmio Empreendimentos deveria ser muito mais proativa. Até agora, desde que o projeto foi aprovado pelo Conselho, a única ação feita para os torcedores foi um site contendo algumas informações. Isso acontece somente por um motivo. Os dois principais agentes para a concretização foram excluídos da Grêmio Empreendimentos por puro partidarismo e inveja. Sem conhecimento, é difícil poder fazer algo de concreto para o projeto ter maior visibilidade. Uma simples ação possível é garantir ao associado publicamente o seu acesso ao novo estádio. Isso irá ocorrer, mas o Grêmio jamais se pronunciou sobre isso. Inúmeras ações de apelo podem ser realizadas, como por exemplo um tour virtual dentro de uma sala, mostrando os detalhes do projeto. A simulação da visualização de uma partida, para se ter noção da visão e do áudio. A tecnologia permite tudo isso. Basta que o Clube se interesse.


6- Os sócios patrimoniais podem ficar tranquilos quanto à preservação de seus direitos com a Arena do Grêmio?

Como foi dito na pergunta anterior, com certeza. Existem uma série de tipos de sócios com direitos e deveres. Estes serão mantidos.


7- É consenso que o marketing gremista ainda não aproveita todo o potencial da marca Grêmio, isso tanto gestão atual como na gestão anterior, do ex-presidente Paulo Odone. Quais são os planos do grupo referente ao marketing, para, enfim, torná-lo uma grande referência no futebol brasileiro?

Em primeiro lugar com uma mudança na cultura do marketing. Precisamos tratá-lo com profissionalismo, transformando a marca em um gerador de receitas poderoso. Cabeças arejadas e conectadas com o mercado futuro, já que a fidelização nesse caso é natural. Gestão de marca significa que todos os pontos de contato com o torcedor deve ser tratado com o máximo de cuidado. Alinhamento da marca Grêmio com outras marcas onde a sinergia trará uma relação ganha-ganha a ambos, um transferindo a credibilidade ao outro. Licenciamento levado a sério, com controle do Clube, bem como a centralização de toda a relação da marca Grêmio com fornecedores e licenciadores dentro do Clube. Explorar lojas em diversos pontos do Estado e do País, bem como outros pontos para que a experiência com a marca se intensifique, agregando valor a essa relação. Enfim, o Grêmio é mais do que um clube de futebol, é um sentimento, e como tal precisa fazer com que a experiência para seu público seja a mais completa possível, em todos os momentos da vida de casa torcedor.

A maior valorização do quadro associativo, através da melhor estruturação das ferramentas já existentes, entregando ao sócio maior valor, maiores benefícios e maior satisfação ao mesmo. Aproximá-lo do Clube, fazendo-o viver o Grêmio mais de perto, não apenas como um torcedor nas arquibancadas, mas vivenciando em todos âmbitos possíveis o vida do Clube.


8- A chapa Renova Tricolor tem algum projeto para que suplentes também tenham direito ao voto no Conselho Deliberativo, para evitar com que haja falta de quórum em decisões importantes para o clube?

Sim. A idéia é de que haja um controle rígido das presenças. Os ausentes devem justificar suas faltas. Estes justificando, pode-se acionar os primeiros suplentes para substituí-los. Caso na reunião outros não estejam presentes e que não justificaram, aciona-se no mesmo momento os suplentes que estão presentes na reunião.


9- Muitos dizem que o Conselho Deliberativo não pode ser culpado pelas decisões do Conselho de Administração, mas tal pensamento pode provocar uma estagnação na evolução administrativa no Grêmio. Qual é a real força e importância do Conselho Deliberativo para discutir decisões tomadas pelo Conselho de Administração? Com a chapa Renova Tricolor, podemos confiar numa nova postura?

Pode confiar sim. O Conselho Deliberativo tem sim sua parcela de culpa pelas decisões do Conselho de Administração. Primeiro: ele é que da o aval para que a chapa vá ao segundo-turno, onde o sócio vota. Quando o sócio vota, ele faz isso pensando que o Conselho Deliberativo aprovou porque a chapa tem condições de gerenciar o Grêmio com competência. Ele só tem o papel de escolher quem fará isso melhor. Segundo: ele faz todo controle de contas do Clube. Aprova ou não a realização econômica e financeira e pode também intervir proativamente no executivo através das comissões temáticas, propondo ações para a evolução do Grêmio. Se estas comissões não atuam, o Conselho está automaticamente de acordo com o executivo (Conselho de Administração), estando ele certo ou errado. Além disso, os conselheiros podem ser viabilizadores de projetos para o Clube. O projeto Arena é um exemplo.


10- Uma das grandes críticas do associado é a falta de transparência do Conselho Deliberativo. Serão usadas ferramentas que permitam a aproximação entre conselheiros e sócios, como a internet, disponibilizando a ata das reuniões? O grupo pode estipular um prazo para que esse canal seja aberto ao torcedor como um compromisso com o associado, caso tenha essa meta?

Sem dúvida nenhuma. O associado tem todo o direito de saber o que acontece dentro do Conselho. Afinal ele que elegeu os conselheiros. Se o Congresso e o Senado são abertos para a população, porque o Conselho não pode ter aberta suas deliberações ao seu principal interessado, o associado? Disponibilizar estas informações faz com que o processo democrático do Clube seja mais claro. O sócio saberá quem está fazendo o que dentro do Conselho. Saberá quem vai, quem falta, quem justifica. Terá muito mais propriedade para poder escolher seus representantes nas eleições. Inclusive é interessante que sócios participem da reunião como ouvintes. O Grêmio pode fazer isso. Haverá uma aproximação muito forte entre o Conselho e os associados.

A Chapa 1 – Renova Tricolor não pode dar um prazo definitivo, pois não depende só de seus representantes para que isso aconteça, mas com certeza irá lutar para que isso aconteça o mais breve possível, até porque não existe complexidade para que ocorra.


11- Uma das grandes decepções do sócio foi a falta de quórum para a aprovação da redução da Cláusula de Barreira de 30% a 20%. Nestas eleições, novamente temos essa promessa em pauta. Qual o compromisso que o grupo faz ao sócio que, desta vez, teremos a redução da Cláusula de Barreira, com a finalidade de fortalecer a democracia gremista?

É lamentável que alguns não cumpram com suas promessas de campanha. A chapa Renova Tricolor sempre batalhou para que a Cláusula de Barreira fosse reduzida, tanto nas eleições presidenciais quanto para o Conselho. Infelizmente, não temos a maioria dentro do Conselho Deliberativo e por este motivo, não conseguimos ter quorum suficiente para estas votações ocorrerem e terem a redução efetivadas. Houve um esvaziamento de conselheiros que são da atual situação, impossibilitando a aprovação da redução da Clausula de Barreira.

A chapa 1 – Renova Tricolor, tendo uma boa votação no dia 11, aumentará consideravelmente seus representantes, não dependendo da boa vontade de outros grupos (pertencentes ao G7) em estarem presentes, pois terá integrantes suficientes para expressar maioria no Conselho e tornar mais democrática as eleições.


12- Para muitos, as categorias de base foram abandonadas pela atual gestão e poucas promessas são aproveitadas no elenco profissional. Qual é a política do grupo para o fortalecimento na formação de novos atletas e a ascensão dos mesmos ao time principal do Grêmio?

O Grêmio precisa primeiro, profissionalizar integralmente as categorias de base. Isso passa pela profissionalização do Departamento de Futebol. A partir deste passo, criar políticas de relacionamento com empresários, para que estes não retirem os jogadores do Clube, nem façam com que o Grêmio seja apenas um criador de jogadores, sem poder utilizá-los e ter bons resultados com os jovens em campo. Deve-se também melhorar consideravelmente o processo de captação de jovens talentos no interior do Estado e em todo País. Hoje o Grêmio só contrata jogadores prontos, em sua maioria. Temos inúmeros casos em outros times, de jogadores que foram contratados quando ainda não eram profissionais e foram preparados técnica e psicologicamente para ascender ao grupo profissional. Desta forma, gasta-se muito menos, tem-se muito mais resultados em campo e muito mais retorno financeiro no momento da venda. Além disso, deve-se inserir nos atletas da categoria de base o sangue gremista. Inserir nos jovens as principais características que marcam o Grêmio, como a força, a raça, a vontade de vencer. Aliando o espírito tricolor às questões técnicas e psicológicas, formam-se atletas muito mais completos e maduros.


Considerações finais

A chapa 1 – Renova Tricolor agradece o espaço dado e se coloca ao inteiro dispor dos sócios e torcedores para tirar quaisquer dúvidas existentes.

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