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Abstinência perto do fim

julho 9, 2010

             “Eu sempre achei uma lástima o Grêmio não disputar a Copa do Mundo.

            Paulo Sant’Ana, ilustre colunista de Zero Hora, ainda o mais genial que há no Rio Grande do Sul. Pode até falar algumas asneiras, parecer meio caduco em certas atitudes – idade vai chegando, sabe como é. Mas aí ele reproduz o sentimento de muitos, arrisco a dizer, muitos gremistas, em pleno domingo, 19 de junho. A frase que abre esta coluna é perfeita e é dele, assim como o texto em que ela está incluída.

            O principal foco do colunista é desabafar que nunca torceu pela Seleção Brasileira. Não posso dizer o mesmo. Esta Copa da África é a quinta que acompanho. A de 90 eu tinha três anos, não me lembro de nada. Mas a de 94, estava eu no tempo em que acordava, comia, dormia futebol. Era só o que queria saber. Aquela movimentação na escola, nas ruas, tudo parado na hora do jogo. Era tudo novo para mim e me contagiou. Tinha a camisa amarela e a azul, ambas com o nome Romário e o número 11 às costas. Aliás, nunca comprei ou vesti outra camisa se não a do Grêmio e a do Brasil. Dessa última, não me orgulho muito.

            Contagiado, torci pelo Brasil. Jogo a jogo. Lembro-me dos pênaltis, acompanhando friamente as cobranças ao lado de minha mãe alheia a qualquer sentimento futebolístico, enquanto meu pai e minha irmã ficaram na cozinha, devido ao nervosismo, aguardando o resultado. Foi nostálgico aquele momento, admito. Não me orgulho de dizer isso, mas vibrei e muito. Ilusão de criança, sabe como é.

            A Copa seguinte, na França, foi um golpe na minha inocência. Após toda aquela história das convulsões do Ronaldo, dos capítulos que a envolveram, combinado com aquele 3×0 escandaloso dado por Zidane & Cia., toda essa ‘celeuma’ me tirou o gosto de torcer pela Seleção. Foi assim em 2002, 2006 e agora em 2010. Não há razão para ser diferente. O futebol sem emoção é só futebol. E a Seleção não me emociona mais, foi-se o tempo. Quem me emociona é o Grêmio, somente ele.

            Na sua coluna, o Paulo Sant’Ana declara, “a Seleção Brasileira não me entusiasma como vejo entusiasmar a tantos brasileiros”. É, nem a mim e a muitos. É tedioso ficar em abstinência do gremismo. Uma lástima como você diz. Mas está acabando. Graças.

            Aí vem o nosso Grêmio. Não aquele vencedor que estamos acostumados a ver, mas torçamos para que melhore nessa volta.

            Copa do Mundo. O que o encanta nessa competição? É o fato de torcer pela Seleção Brasileira? Ou o simples fato de acompanhar 64 jogos em quatro semanas que te levam a exaustão?

            Se é que esta competição te encanta.

Palpite furado. Quis o futebol me contrariar e fazer tudo ao inverso. Uruguai e Alemanha, raça e tradição, final perfeita de uma Copa do Mundo. Mas ambos perderam, e em vez de decidirem o título, decidirão o terceiro lugar. Um possível e honroso terceiro lugar para o Uruguai, um possível e desgostoso para a Alemanha. Um grande jogo neste sábado, às 15h30.

Final sem sal. A primeira e, provavelmente, última Copa no continente africano terá uma final entre duas seleções que chegaram com merecimento e justiça a este jogo. Mas o futebol não é só merecimento e justiça. Tem que ter tempero, tem que ter sal. Tem que ter ‘camisa’ em campo. Holanda e Espanha, uma final inédita, uma final sem sal. Sem graça. No domingo, às 15h30.

Hospital. A vida tem suas coincidências. Como já disse, a atual Copa do Mundo é a quinta que assisto. Em 94, 98 e 2002, o Brasil chegou à final. Assisti em casa todos os jogos. Já em 2006, ficou nas quartas-de-final. Assisti a eliminação no hospital. Estava internado à época e assisti toda a competição em um leito hospitalar. Este ano, por volta das 10h da manhã da sexta-feira passada, dia de Brasil e Holanda, acordei com dores no rim esquerdo. Benditas pedras que me fizeram assistir o jogo da emergência. Não deu outra, a Seleção ficou novamente nas quartas-de-final. Então, já fiquem sabendo. Se conseguir ficar longe do hospital durante 2014, vai dar Brasil na final. Pelo menos na final. O Hexa eu não garanto.

Celeste. Após o jogo contra a Holanda, em que o placar de 3×2 a favor da ‘laranja mecânica’ tirou o Uruguai da final da Copa do Mundo 2010, o sentimento era esse em Montevidéu.

Meus filhos, a Celeste: são minha vida. Quem dera eu possa viver tudo de novo daqui a quatro anos. Se for deste mesmo jeito, terá valido a pena” – Wilman Muñoz, 38 anos, junto ao filho de sete, Pepe.

Se existisse uma boa maneira de perder, seria muito parecida com essa: lutando” – frase dita pelo técnico uruguaio Oscar Tabárez após a eliminação, repetida por mais de 3 milhões de apaixonados uruguaios.

Há um entusiasmo nos mais jovens com os novos rumos do país. E agora sabemos como foram aqueles dias de nossos avós com o futebol. Não é preciso sair do Uruguai para ser feliz. Somos pequenos, mas somos grandes” – Sebastián Tito, 28 anos.

Que povo este, o uruguaio. Quanta diferença. Sem contar argentinos, paraguaios.

Copa 2014. Quem foi à África afirma que o Brasil já estaria pronto para realizar daqui a quatro anos uma melhor Copa do Mundo, do ponto de vista da organização. Restariam apenas ajustes e melhorias. Dizem ter visto um povo feliz e uma festa bonita, mas uma infraestrutura precária para a realização de uma competição deste gabarito. Portanto, não há possibilidade de não acontecer.

Transporte público ruim, trânsito congestionado, estádio pior que o Beira Rio. Exageros ou não, quem foi viu assim. Confira aqui e aqui, dois textos que catei na web.

Piada. O Brasil não faturou a Copa em 2010, mas irá ‘superfaturar’ a de 2014.

Grêmio. Amistoso amanhã contra o Juventude, às 18h30, no Alfredo Jaconi. Transmissão ao vivo da TVCOM, mais uma. Último teste antes do Brasileirão. Grande teste. Enquanto tem gente grande brigando com gente grande, nós brigamos com Avaí, Vasco, Coritiba. E ainda ficamos na lanterna.

Eleições Tricolores. Há um ano atrás foi realizada a primeira reunião de blogueiros que deu origem ao BloGrêmio, da qual o Grêmio 1903 faz parte. E em meio a essa data, o coletivo de blogs está realizando a primeira grande empreitada conjunta ao publicar entrevistas ao longo dessa e da outra semana com os principais movimentos políticos do clube. A intenção é mostrar as propostas de cada grupo e guiar o sócio, apto a votar, na hora das eleições em setembro. Duas entrevistas já foram publicadas, Grêmio Sem Fronteiras e Grêmio Independente. Amanhã é a vez do Grêmio Novo.

Rodrigo Rodrigues – Blog e Twitter

Esta é a Coluna Antes do Fim, escrita sempre às sextas. Semana que vem a vida volta ao normal. Dia 14 de julho tem jogo contra o Vitória,às 19h30, no Olímpico, pelo Brasileirão. Até a próxima semana.

2 Comentários leave one →
  1. Alfredo Carlet permalink
    julho 9, 2010 10:44 pm

    Sedento de GRÊMIO…
    Nenhuma camisa atual nossa visível, na vitrine, do quiosque da GRÊMIO Mania do Bourbon Ipiranga Shoping, apenas a do Brasileiro 2009 vestida por vendedora…..

  2. Alfredo Carlet permalink
    julho 9, 2010 10:53 pm

    No quiosque desse shopping, parece que não existe, para quem passa, a tricolor 2010.

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