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Eleições no Clube dos 13

abril 6, 2010

A alternância de poder em qualquer instituição, seja pública ou privada, é fundamental para o seu futuro. Por isso, não aprovo pessoas que se perpetuam no poder e não vejo isso como um fator positivo para uma entidade. A mudança na administração pode ser uma oportunidade para implantação de novas idéias que visam desenvolvimento.

No entanto, essa ligação entre o ex-presidente do Flamengo, Kleber Leite, e o mandatário da CBF, Ricardo Teixeira, não cheira nada bem. E o “fedor” aumenta quando há uma possível preferência da Rede Globo de Televisão pelo candidato oposicionista. Tal união não pode ser considerada uma mera coincidência, ainda mais quando há fatores que explicam essa relação.

Para começar, é conhecimento de todos que Kleber Leite e Ricardo Teixeira são amigos pessoais. No entanto, a relação entre os dois vai mais longe. O ex-dirigente flamenguista é dono da empresa responsável por negociar amistosos da Seleção Brasileira até a Copa de 2014, a Klefer, atualmente administrada por seus filhos. Além disso, a empresa participa dos contratos de placas de publicidade no Campeonato Carioca, então, não custa acatar a hipótese de ampliação de suas atividades para os torneios nacionais caso Kleber Leite seja presidente do Clube dos 13.

Também são estranhos os boatos de que se Kleber Leite for presidente do Clube dos 13, a CBF estaria disposta a abrir mão de administrar o futebol brasileiro, apenas cuidando dos interesses da seleção brasileira. Por que tal decisão ocorreria apenas com Kleber Leite na presidência? Logo, a CBF até poderia passar oficialmente a administração do futebol nacional ao Clube dos 13, mas ainda assim teria grande influência na entidade, ampliando o seu poder.

Outro fator que merece a nossa total desconfiança é a preferência da Rede Globo por Kleber Leite. Como se fosse um quebra-cabeça com todas as peças encaixadas, tudo passa a fazer sentido. Já que a CBF rompeu com a FBA, a Futebol Brasil Associados, até aquele momento responsável pela Série B, Ricardo Teixeira diminui a cota dos clubes da segunda divisão, sendo que quatro deles são filiados ao Clube dos 13.

Como retaliação, Fábio Koff sinalizou a possível solicitação do aumento da cota de TV para Série A para a renovação de contrato com a Rede Globo, que por sua vez, não se mostra disposta a conceder. Por outro lado, a Rede Record tenta obter os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro e trava batalhas com a emissora carioca.

O primeiro grande golpe da Record contra a Globo foi a compra dos direitos de transmissão da Olimpíada de Londres em 2012 para o Brasil. Especula-se que a emissora tenha gasto US$ 30 milhões (R$ 63 milhões), duas vezes mais do que a Globo teria pago pelos jogos de Pequim em 2008. Então não é de se duvidar que a Record venha com força máxima para comprar o direito de transmissão do futebol nacional.

Fábio Koff tem como aliado o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, que já manifestou o seu desejo de ampliar as cotas de TV, o que o faz entrar em rota de colisão com a CBF e consequentemente com a Rede Globo. Assim, não tardou para os primeiros sinais desse racha surgirem.

Recentemente, o São Paulo apresentou um novo projeto para reforma do Morumbi e a FIFA, por meio de seu secretário Jerome Valcke, aprovou as mudanças. Estranhamente, semanas depois, Ricardo Teixeira deu declarações de que o estádio não seguia as normas da FIFA, mesmo com parecer positivo de Valcke.

Portanto, com todos esses fatos, torna-se impossível não associá-los às eleições do Clube dos 13. Não acho que a administração de Fábio Koff seja exemplar, muito pelo contrário, pois a entidade atualmente é muito aquém do que se imaginava em 1987. Porém, a chapa de Kleber Leite representa uma série de interesses daqueles que estão no poder e não querem perdê-lo. Por isso, em meio a toda essa jogatina política, Koff se torna a melhor opção para o futebol brasileiro.

Referências: Blog do Tironi, Blog do PVC e Folha Online


3 Comentários leave one →
  1. abril 9, 2010 11:20 am

    Belo texto, Bruno. Fecho contigo.

    Pior é que sempre, SEMPRE, quem sai perdendo é o torcedor, que é “só um detalhe” na engrenagem do futebol.

    Porque o poder público é conivente com TANTO bandido eu queria entender.

  2. abril 12, 2010 6:47 pm

    Pois é, e o “presidente” do meu BOTAFOGO votou no Kefler Leite. Talvez por me lembrar muito bem da “Frente Rubro-negra da Rede Globo”, da Era Zico, fico com um pé atrás, todas as vezes em que se juntam dirigentes (ou ex-dirigentes) do Flamengo e da Rede Globo. A coisa nunca cheira bem. Melhor seria se esse Maurício Assumpção fosse dirigir o seu consultório dentário, e esquecesse o BOTAFOGO! Começo a ter saudades do Bebeto de Freitas.

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