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Lesões e estaduais

março 13, 2010

Foto: Valdir Friolin

Não ouso a pensar que a culpa das lesões ocorridas nos jogadores gremistas seja  de Anderson e Paulo Paixão.  Confio plenamente na competência do filho e o pai já não precisa provar mais nada no mundo do futebol. Mesmo assim, torna-se preocupante o número de lesões e jogadores no Departamento Médico do Grêmio.

Isso nos remete a um velho debate que ocorre com muita frequencia nos últimos anos. Trata-se do nosso calendário e o espaço excessivo que os estaduais ocupam nele. Não sou daqueles que defendem o fim dos estaduais, no entanto, acredito que tais competições deveriam durar, no máximo, dois meses.

Ao contrário de anos atrás, os campeonatos estaduais não têm o mesmo peso e são torneios menos importantes do que qualquer outro campeonato que um grande clube venha a disputar. Portanto, não vejo sentido em jogar de janeiro a maio o Gauchão ou qualquer outro torneio do tipo.

Com o tamanho desproporcional nos estaduais, resulta-se na falta de uma pré-temporada no futebol brasileiro. O jogador encerra o Brasileirão no começo de dezembro e pouco depois da primeira quinzena de janeiro já entra em campo numa partida oficial. Então não existe pré-temporada no Brasil como ocorre na Europa, com clubes se preparando com um mês e ainda com tempo de participar de torneios amistosos.

Diante dessa correria, não há preparação física que seja totalmente eficiente e, assim, os jogadores começam a atuar no meio e no final de semana sem parar. Com esse ritmo frenético vêm as lesões. O Grêmio perdeu Leandro, Hugo e Borges dessa maneira (sempre lembrando Lúcio e Souza tiveram rompimento de ligações). Nesta semana, o Departamento Médico recebeu mais jogadores por dores musculares (como Jonas e Ferdinando, por exemplo). Por isso, compreendo e dou razão às palavras de Anderson Paixão. Neste ritmo, as lesões se tornam inevitáveis.

Logo, os jogos excessivos provocados pelos estaduais se tornam os vilões dos grandes clubes. A única justificativa que vejo para o número de jogos desses campeonatos é de razão política entre a CBF e as federações estaduais e talvez a TV. Porque de resto, não há mais razão do estadual ser tão longo.

O Brasil precisa de uma pré-temporada digna para que seus atletas se preparem da melhor maneira possível. Mas infelizmente no nosso país, a vontade do jogador e do torcedor, dois maiores protagonistas do futebol, são deixados de lados, numa clara inversão de valores. E assim seguem os problemas.

13 Comentários leave one →
  1. Sancho permalink
    março 13, 2010 6:38 pm

    O que está desporporcional é o Brasileiro. Pronto, falei…

  2. Rodrigo Rodrigues permalink*
    março 13, 2010 9:43 pm

    Em parte o Sancho está certo.

    Enquanto ainda contarmos no calendário com datas reservadas aos estaduais, o Campeonato Brasileiro de 38 rodadas estará sobrecarregando o calendário dos clubes.

    É um problema que não tem solução sem perdas.

    Ou se acaba com os estaduais de vez, deixando os clubes do interior vivendo de pão e água. Apesar de acreditar que eles sobrevivam sem depender totalmente da dupla GRE-nal.

    Ou voltamos a um único turno de Brasileirão com mata-mata depois. Só que aí muitos vão dizer que não é justo, que a melhor fórmula é essa que aí está, que na Europa se joga assim e por aí afora.

    O melhor a fazer é jogar muitas partidas, sofrer muitas lesões e seguir o baile, pois nada irá mudar. Melhor desviar ou igonorar estes assuntos. Vem tudo do mesmo pacote. E como os extremistas falam, “eles ganham bem para jogar, ao contrário da maioria de nós”.

    Pensar em uma pré-temporada mais longa é o ideal e todos sabem disso, mas quem liga para o melhor a se fazer. Vivemos no Brasil, pomba!

    Abraço.

  3. março 13, 2010 11:06 pm

    O problema é que aí partimos para outro debate: pontos-corridos ou mata-mata?

    Se o mata-mata voltar, naturalmente haverá espaço para os estaduais e uma pré-temporada.

    Mas defendo os pontos-corridos. Primeiro porque mata-mata nacional já temos. Trata-se da Copa do Brasil, que nos últimos anos foi mal-tratada pela CBF.

    Para mim, a Copa do Brasil deve ser valorizada. Dane-se a Sul-Americana, coloque os clubes que disputam a Libertadores na Copa do Brasil e faça a competição durar uma temporada inteira e não a metade dela.

    Com uma vaga na Libertadores em disputa, os clubes brasileiros mostrariam muito mais interesse na Copa do Brasil, mesmo simultânea ao Campeonato Brasileiro, do que na Sul-Americana, que dá vaga à Copa Suruga.

    Por isso, acho que o caminho é valorizar a Copa do Brasil e não transformar o Brasileirão novamente em mata-mata.

    Segundo, defendo os pontos-corridos, não por ser mais justo. Tive essa ilusão até 2008, quando o co-irmão levou de 3×0 contra o São Paulo com Arthur Dallegrave falando abertamente em entregar.

    O Flamengo, atual campeão, teve muita sorte de pegar nas duas últimas rodadas, dois times (Corinthians e Grêmio) que não tinham mais nada a disputar e, pior, com seus rivais na disputa do título. Quem viu o jogo, sabe que o Grêmio não entregou, mas a motivação não era a mesma de um jogo pra valer, isso todo mundo sabe.

    No entanto, no aspecto organizacional e financeiro, os pontos-corridos são mais rentáveis na minha visão. Um dos motivos é que o clube tem renda de público por toda a temporada, assim como cota de TV.

    Além disso, se eu fosse um investidor, pagaria mais se tivesse a garantia que a marca da minha empresa fosse exposta até uma data exata. No mata-mata, se o clube pára na primeira fase, dançou.

    Aí vamos a outro problema: o que ocorre com o clube eliminado na primeira fase? Deu setembro ou outubro e fecha as portas esperando a próxima temporada?

  4. março 13, 2010 11:14 pm

    Por todas as razões acima, concordo que o Brasileirão não é o problema. Acho sim que os estaduais devem diminuir o seu espaço no calendário.

    Mas para isso, será preciso jogar contra os interesses da televisão, das federações e outras partes. O que em curto prazo, não acredito que ocorra.

    Quanto aos clubes do interior ou um da Série C ou D, se alguém se preocupasse realmente com eles, a CBF já teria feito algo.

    O Santa Cruz foi eliminado na Série D e teve que participar de competição amadora para preencher o resto da temporada.

    Para mim, a solução é pegar a Série C e colocá-la aos moldes da Série B e A, enquanto na Série D, a CBF deveria colocar seletivas estaduais que durem a partir do fim dos campeonatos estaduais até à fase final da temporada para selecionar os clubes que irão disputar às primeiras colocações para Série D.

    Se essa idéia não é tão simples de ser colocada em prática, até posso concordar. No entanto, não vejo muita preocupação dos nossos dirigentes quanto a esse problema.

    Abraço.

  5. Sancho permalink
    março 14, 2010 9:28 am

    Bruno,

    A discussão pode passar longe de pontos corridos ou mata-mata. No segundo semestre, fiquei de terminar a segunda metade do trabalho que fiz para o Páginas Heróicas Digitais sobre o calendário nacional. A primeira está aqui:

    a) http://cruzeiro.org/blog/calendario-brasileiro-a-inglesa/
    b) http://cruzeiro.org/blog/calendario-a-moda-europeia/

    Faltariam mais dois. Num deles, o Brasileiro tem 20 datas; por pontos corridos, mas em turno único. Com 20 clubes, joga-se contra os 19 adversários e dobra-se o clássico. Nesse caso, os estaduais teriam 18 datas; e seriam disputados concomitantemente ao nacional. Nota que as duas somadas dariam 38 datas.

    Um abraço.

    • março 15, 2010 12:41 am

      Sancho, até amanhã irei ler os dois artigos e postarei um comentário se necessário.

      Abraço.

  6. março 14, 2010 3:41 pm

    Bruno,

    Contrariando alguns dos teus leitrores, mata-mata e estaduais, pra mim, é atraso. Tenho uma proposta de campeonatos para movimentar todos os times do país durante o ano inteiro, mas é complexa. Compensaria os estaduais e manteria os grandes de fora dessas caravanas da miséria e antros de jabá para empresários de quinta categoria que tomam conta das federações estaduais.

    O problema do Grêmio é que tivemos quatro preparadores físicos em 12 meses. Isso é muito pior do que a troca de técnico.

    []’s,
    Hélio

    • Sancho permalink
      março 14, 2010 4:49 pm

      Hélio,

      Dá uma olhada nos links que coloquei ali. São relativamente simples, mas completamente diferentes.

      Um abraço.

    • março 15, 2010 12:54 am

      Hélio, acho interessante manter os estaduais no aspecto cultural do nosso futebol e até mesmo em rivalidade. O Gauchão é uma oportunidade a parte para ver, quem sabe, um GREnal decidindo título e acho que isso sensacional. Assim como em qualquer outro estado que tenha tamanha rivalidade.

      O que na verdade sou desfavorável é o tamanho dos estaduais e consequentemente os riscos que este oferece para que um grande clube atinja pretensões maiores.

      O futebol brasileiro precisa de uma pré-temporada e um espaço no calendário para os grandes clubes fazerem excursões mundo a fora, reforçando o seu marketing fora do país.

      Mas nosso calendário está tão atolado, que cancelar um jogo, seja por chuva ou outro motivo, é extremamente difícil no Brasil, porque não há mais espaço.

      Por isso, acho que não é o Brasileirão deva mudar e sim os estaduais devem se adaptar à sua real realidade e terem um espaço menor no nosso calendário.

      Quanto ao preparador físico, concordo plenamente. Ainda estamos sofrendo o reflexo da má-preparação física de 2009. Por isso que o trabalho da família Paixão levará mais tempo para surtir efeito.

      Abraço.

  7. giovani montagner madruga permalink
    março 15, 2010 1:20 am

    já me manifestei anteriormente contra os campeonatos estaduais por esse mesmo motivo: sobrecarrega os atletas ocasionando lesões.
    exatamente bruno, sem os clubes que participam da libertadores, e acho absurdo “encaixotar” a copa do brasil em seis meses quando poderia ser melhor distribuída ao longo do ano calendário, o mesmo poderia ser feito com a consolação da sul-americana. não gosto de ficar comparando com o futebol europeu, mas eles tratam melhor o calendário.
    campeonato estadual e sul-americana são desnecessárias, levam nada a lugar algum. os campeonatos estaduais deveriam servir de seletiva para os clubes participarem de competições regionais que, por sua vez, serviriam de seletivas para as nacionais com o ápice na série a. seria uma capilarização do futebol, podemos assim dizer.

    • Sancho permalink
      março 15, 2010 8:10 am

      Ir a lugar nenhum NÃO é argumento. Um valor de uma competição não reside para onde ela leva. O valor só pode ser intrínseco. Um torneio vale EM SI, caso contrário, por exemplo, não haveria diferença entre o primeiro e o terceiro do Brasileiro porque todos vão à Libertadores. Alguém acredita mesmo nisso?

  8. Raisa permalink
    março 15, 2010 9:12 pm

    eu só me pergunto por que as tantas lesões acontecem só no Grêmio, ao mesmo tempo que essa questão do calendário atinge a todos os clubes brasileiros….

    Já que se acredita que não há relação com a questão da preparação física, sou obrigada a achar que a má sorte está rondando as pernas dos nossos guerreiros ou ainda que, eles são os que mais correm e lutam no país inteiro, justificando tanto desgaste….

  9. Juliano permalink
    março 16, 2010 1:59 am

    Anderson Paixão foi corrido do Bahia por causa das lesões, tomara que tenha sido um tremendo mau entendido, mas que está preocupando está.

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