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Grêmio 2×1 São José – Campeonato Gaúcho 2010

fevereiro 15, 2010

Escrevo nesta segunda-feira de carnaval sobre o confronto Grêmio 2×1 São José de Porto Alegre ocorrido no sábado. Até porque no compasso dos tamborins, cuícas e agogôs não é necessário pressa. E creio que é o momento de deixar o futebol um pouco de lado e na tranquilidade de um baiano desopilar as ideias, recarregar as baterias e se preparar ao estresse do dia-a-dia. Afinal, o ano começa agora. 

Pois bem, no forte calor do sábado o Olímpico recebeu três mil ‘malucos’ que não tinham nada melhor para fazer em pleno feriadão de carnaval. E eu no meio desses ‘loucos’.

Simon e seu novo brinquedinho, o termômetro. Foto: Tadeu Vilani/ClicRBS

> Não irei falar sobre as ‘birrinhas’ e ‘mesquinharias’ de um lado da imprensa contra o lado da arbitragem referentes ao horário da partida e ao forte calor. O termômetro, grande personagem do futebol gaúcho no sábado, teve seus quinze minutos de fama. Pena não ter aproveitado mais os holofotes. [A imprensa com seus termômetros avaliados pelo INMETRO – como frizavam os repórteres – dizia estar fazendo no Olímpico mais de 37°, enquanto na sombra da boca do túnel refrigerado da arbitragem os medidores de temperatura indicavam 32,5° a 33,5°. Quem está com a verdade? Um fato pitoresco digno do clima de carnaval.]

> Falar dos pós-jogos do Grêmio se tornou algo repetitivo. [Nossa defesa vai de mal a pior, saímos outra vez atrás no placar e ‘por sorte’ conseguimos a virada.] Passa a lembrar o ano passado, quando jogar fora-de-casa no Brasileirão se tornou sinônimo de fracasso e derrota. O fim dessa história conhecemos: ir à Libertadores só em 2011 e vaga à Sul-Americana de consolação. E a deste ano? Até quando dará certo falhar na defesa, sair atrás no placar e depois virar ele?

> No começo de 2010, já são nove jogos disputados. Nos oito jogados pelo Gauchão, em apenas um saímos na frente do placar. Foi contra o lanterna da Chave 2, o Universidade. Aliás, único placar elástico – foi 5×1. Nos outros sete jogos foram dois empates em 1×1, duas vitórias por 2×1 e outras duas por 3×2. Houve ainda a derrota para o Internacional por 1×0. Em todos os jogos do ano, contando contra o Araguaia pela Copa do Brasil, tomamos gols. São 20 gols marcados, 11 gols sofridos.

> Não sei o que há com nossa defesa. Não darei uma de treinador, pois não sou. O que vejo é muito superficial. Quando não está com a bola, o Grêmio não parece marcar, parece assistir o adversário. Ninguém se antecipa, dá um bote, um desarme sequer. O gol do São José-POA escancarou isso: bola de pé em pé e os defensores Gremistas pareciam uns ‘bobos’ a olhar. O difícil é inocentar alguém.

– Mário Fernandes parece cansado, sem forças para marcar ou apoiar.
– Rafael Marques parece sentir o peso de ser o mais experiente e de quem teria que acertar a posição da defesa.
– Maurício começou bem desde a sua estreia, mas de uns jogos para cá passou a mostrar insegurança.

> Para o técnico Silas falta a experiência e a liderança para nossa defesa. Na entrevista pós-jogo ele disse acreditar que o zagueiro Rodrigo, que será apresentado na quarta-feira, é a primeira solução. Ele espera outros reforços em breve.

> O meio-campo, dizem, é um dos culpados pela má fase da defesa. Creditam aos meias-armadores a falta de marcação e a consequente perda de domínio na meia-cancha. O time adversário estaria sempre com um jogador a mais na hora de atacar, enquanto o Grêmio sempre com dois jogadores a menos para se defender. Se falta mesmo o comprometimento de Douglas e Mithyuê (no caso do jogo do sábado), isso é questão fácil de se corrigir. Mas não é somente isso, e aí está o problema. Há erros individuais e coletivos.

Fernando comemora o gol da virada com Fábio Santos. O jovem volante foi um dos poucos melhores em campo. Foto: Tadeu Vilani/ClicRBS

> Há poucos jogadores que podem ter o luxo de não ouvir críticas. Victor, por suas defesas, e talvez Borges, por seus nove gols em nove jogos. No sábado, Fernando foi coberto de elogios. Muito em razão de sua juventude e vitalidade, comprovadas em sua força, empenho e vontade em toda a jogada que vai. E ainda mostra o atrevimento (no bom sentido) de pegar a bola, colocar debaixo do braço e cobrar escanteios e faltas. Mas aí está uma crítica, talvez não seja hora de ele acumular estas obrigações em campo. Se nos juniores, e eu já vi de perto, ele era o (bom) cobrador oficial, com mais paciência ele passará a fazer o mesmo nos profissionais. Sem pressa, ele chega lá. [Por falar em volante, Willian Magrão entrou na 2ª etapa e mostrou que aos poucos pode novamente ser muito útil ao Grêmio. O principal: está com vontade de jogar. Willian Magrão não é do tipo que cadencia o jogo, é o volante da explosão, da velocidade. Algo que falta ao Tricolor, o homem-surpresa que vem de trás. Sem Réver, que foi para Europa, não há ninguém dessa característica. Acho que Willian Magrão passa a ganhar lugar nesta equipe em pouco tempo.]

> Do meio para frente a equipe jogou bem no início, mas levou o gol e sentiu mais uma vez a incômoda obrigação da virada – os erros passaram a acontecer. A lentidão de Douglas para enxergar o jogo, os erros de condução de bola e passe de Mithyuê e a total falta de noção de Jonas em suas jogadas davam a clara impressão que a equipe teria que se acertar para a 2ª etapa.

> A retirada de Jonas para a estreia de William não contribuíram para o resultado que viria depois, foi talvez um recado ao atacante ‘renova ou não renova’ para se olhar no espelho e ver que não merece toda a grana que deseja ganhar. Segundo o desconfiável Wianey Carlet, Jonas teria proposto R$ 2 milhões em luvas mais salário mensal de R$ 240 mil. Hoje o atacante ganha ótimos R$ 80 mil mensais. O assessor de futebol Alberto Guerra descartou ‘não descartando’ os valores propostos pelo jogador à direção.

> Por falar no Wianey, indo rumo ao estádio ouvindo a Gaúcha comprovo o despreparo de certos profissionais da imprensa. Em dado momento, o repórter de campo deu a escalação do Grêmio para a partida. O caro comentarista ouviu atentamente e logo após, comentou em cima cometendo um erro fatal. Passa a criticar o técnico Silas por não ter escalado Maylson, até ser interrompido pelo repórter: “Maylson está suspenso”. Constrangido por não saber que o jogador estava fora da partida pelo terceiro cartão amarelo, ele continua sua ‘conversa fiada’.

É verdade que errou na condução de bola e nos passes em certos momentos, mas com um chute forte empatou a partida. Mithyuê fez seu primeiro gol como profissional, e que gol! Foto: Tadeu Vilani/ClicRBS

> Os que o vaiaram em certos momentos da 1ª etapa e já pegavam no pé do jovem Mithyuê na etapa complementar, passaram a gritar o seu nome após o golaço de fora da área empatando a partida. Com raiva e um forte chute, marcou seu primeiro gol como profissional.

> O gol da vitória veio de Fábio Santos. O jogador entrou no lugar de Lúcio com vontade. Fez boas jogadas de apoio, buscando em muitas delas a linha de fundo. Melhorou tanto nesse aspecto, que até gol marcou. Boa troca de passes, quase mais um gol de Borges e na sobra o lateral-esquerdo colocou a bola no fundo das redes.

Depois de Souza, mais uma grande perda para a equipe. Lúcio rompeu ligamentos do joelho esquerdo e para por seis meses. Pode ter sido seu último jogo pelo Grêmio. Foto: Tadeu Vilani/ClicRBS

> Um fato que se repete este ano no Grêmio e na carreira do jogador Lúcio. Um fato a se lamentar, mas que é do futebol. Voltando a jogar o seu bom futebol de tempos atrás, Lúcio não deu sorte e rompeu dois ligamentos do joelho esquerdo. É uma grande perda para um modelo de time que se desenhava na cabeça dos torcedores, com um rápido e ousado Lúcio atacando pela esquerda. Fará falta, assim como Souza. Resta saber se foi sua última partida pelo Grêmio (seu contrato de empréstimo com o clube se encerra no final de junho) ou se a direção renovará o seu contrato junto ao Hertha Berlim (ALE) mesmo com Lúcio lesionado. Força Lúcio!

Começa agora o mata-mata de jogo único no Gauchão. Na próxima quarta-feira, o Grêmio enfrenta o Veranópolis no Olímpico, às 21h50, pelas quartas-de-final. O detalhe curioso desse confronto é o fato do adversário ter tido melhor campanha – mesmo número de pontos, mas melhor saldo de gols – do que o Tricolor, mas ter sido 4° colocado na Chave 2. A diferença entre os dois grupos da competição é tamanha que o lanterna da Chave 2 tem sete pontos, enquanto o último classificado da Chave 1 tem 6. Vejam na tabela.

Vamos Grêmio!

Ficha do Jogo – 8ª Rodada – Taça Fernando Carvalho – Gauchão 2010

Grêmio – 2 : Victor, Mário Fernandes, Maurício, Rafael Marques, Lúcio (Fábio Santos), Fernando (Willian Magrão), Fábio Rochemback, Mithyuê, Douglas, Jonas (William) e Borges. Técnico: Silas.

São José de Porto Alegre – 1 : Rafael, Alexandre, Gustavo, Cauê, Juca, Jonas, Pedro Carmona (Douglas), Dadá, Jefferson (Xavier), Beá e Rangel (Cassiano). Técnico: Argel.

Estádio Olímpico Monumental (Porto Alegre – RS)

Público Pagante: 3.332 – Público Total: 3.805 torcedores – Renda: R$ 55.735,00

Gols: Mithyuê, aos 9 minutos, e Fábio Santos, aos 15 minutos do 2° tempo (Grêmio), Juca, aos 13 minutos do 1° tempo (São José-POA).

Cartões Amarelos: Mário Fernandes (Grêmio), Jonas (São José-POA).

Árbitro: Carlos Eugênio Simon (RS).
Auxiliares: Edemar Palmeira (RS) e Jorge Luiz Cardoso da Silva (RS).

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3 Comentários leave one →
  1. heraldo permalink
    fevereiro 16, 2010 12:44 pm

    Vamos ver com olhos de GREMISTAS, sempre desejei que o GREMIO entrasse ,sempre levando um a zero,pois sempre a partir do gol, tinha atitude.
    No jogo contra o zequinha, o gol não foi pela esquerda, mesmo discreto há uma arrumação,alias, nada o zequinha fez pela esquerda.
    Damos um banho de bola no time do noveletto,poderia ter sido 6 ou 7 que seria justo para o GREMIO.
    Mario fernandes, comprovou que não sabe jogar na zaga,tem que ser lateral ou o 8 ou 10 do time,jamais na zaga.
    Herança fudida, do asnotuori,que chutão e coice é feio,se el loco, tivesse rifado a bola em vez de querer tirar de letra, não teriamos levado o gol.
    portanto mesmo discreta, há uma evolução no sistema defensivo.

    • Rodrigo Rodrigues permalink*
      fevereiro 16, 2010 7:33 pm

      Heraldo,

      Achar que levando um gol antes o Grêmio terá atitude é pensamento de suicida.

      Onde você viu o Mário Fernandes tentar tirar de letra? Eu não vi.

      Os erros nunca estiveram somente na esquerda e tampouco estão somente na direita. Há um problema coletivo, de aproximação entre meia-cancha e zaga com os espaços dados ao adversário para criar. O time do Grêmio é facilmente envolvido quando está sendo atacado. Não foi só na hora do gol, em outras jogadas o São José chegou fácil na área só que sem qualidade para marcar.

      Não demos um banho de bola no Zequinha. Vencemos por ser obrigação vencer.

      Abraço.

  2. Juliano permalink
    fevereiro 16, 2010 10:33 pm

    Simon baita sem vergonha, penalti claro em Lúcio…Ah mas não é só isso o problema do Grêmio, Rockembach é muito pereba não pode jogar no Grêmio…O que me preocupa é que o Grêmio na temporada não ficou uma partida sequer sem levar gols, mesmo com esses adversários fracos. Tem muita coisa errada, começando pelos volantes utilizados. Rockembach e Maylson não são jogadores para o Grêmio.

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