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Apesar de tudo, quero essa taça

janeiro 17, 2010

Passa ano após ano, os campeonatos estaduais são motivos de discussão entre os torcedores a respeito da sua real importância. Muitos ainda os defendem, enquanto outros querem o término dos regionais. Este deve ser um debate sem fim enquanto os esses torneios continuarem a existir no nosso futebol.

Sou um daqueles que defendem a manutenção dos campeonatos estaduais, porém, não da maneira que vem ocorrendo. Acredito que na nossa atual realidade, o fato desses torneios durarem quase cinco meses no nosso calendário chega a ser um contra-senso e mais atrapalha os grandes clubes do que realmente ajuda.

Se voltarmos no tempo, poderemos compreender bem a razão para a criação das raízes dos estaduais na nossa cultura futebolística. O Brasil é um país de proporção continental e, logo, fazer um torneio de abrangência nacional seria completamente inviável do começo até mesmo a metade do século passado. Tanto é assim que o primeiro torneio nacional foi a Taça Brasil em 1959.

Em outras potências do futebol mundial, torneios em nível nacional estiveram presentes desde os primórdios, porém, o território desses países praticamente equivale aos nossos estados. É o caso de Inglaterra, Alemanha, Itália, França. Na Argentina, embora seja um país muito grande, o futebol sempre se concentrou na região ou nas proximidades de Buenos Aires. O mesmo não pôde ocorrer no Brasil, um país gigantesco com vários centros urbanos espalhados ao longo de seu território.

Na ausência de uma competição nacional, os campeonatos estaduais preencheram essa lacuna por décadas. E seu troféu se tornou a maior ambição de qualquer clube. No entanto, os tempos mudaram. Atualmente, já temos um campeonato nacional, continental e mundial. Então os estaduais já perderam a sua importância se comparado há décadas atrás. Por essa razão, não vejo mais sentido no âmbito futebolístico os regionais ganharem tanto espaço no nosso calendário, a não ser por motivos políticos entre as federações estaduais e a CBF.

Mesmo assim, defendo os estaduais, por pertencerem a nossa cultura. Apenas ressalvo que esses campeonatos deveriam durar dois meses no máximo, para que os clubes tenham uma pré-temporada digna, como ocorre na Europa, para disputarem com maior força os torneios de maior status.

Apesar de tudo, quero essa taça. Independente de todas as polêmicas sobre os estaduais, o Grêmio sempre deve entrar nos certames gaúchos com a obrigação de conquistar o Gauchão. Neste ano de 2010, esta taça acima ganha mais importância, para que o Rio Grande volte a ser azul dentro de campo. Afinal, o Campeonato Gaúcho já simbolizou a retomada da supremacia tricolor nos Pampas em 1977, resultando em mais de duas décadas de hegemonia azul. Que em 2010, tudo se repita.


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  1. Régis permalink
    janeiro 17, 2010 5:41 pm

    Concordo plenamente, Bruno, bem como com a volta dos torneios regionais, como a Copa S, a Copa NE, o Torneio RJ-SP, pois, como você bem frisou, nosso país possui dimensões continentais, e nem todos os clubes estão dispostos na série A do Campeonato Brasileiro, fato este ter que haver uma outra maneira de captação de recursos para os “n” clubes filiados à CBF. Aqui em Fortaleza já se vislumbra a volta da Copa NE, pois era um torneio que ajudava muito aos clubes da região, devido ao grande crédito dado pelas torcidas a tal competição. Antigamente eu até era contra os campeonatos regionais, mas hoje vejo com outros olhos esta competição, há algo macro por detrás que, além de um simples campeonato, há uma tradição.

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