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Adilson Batista: injustiças e méritos

agosto 4, 2009
Adilson Batista, o Capitão América, ao lado de Cacalo e Koff na conquista do Bi da Libertadores

Adilson Batista, o Capitão América, ao lado de Cacalo e Koff na conquista do Bi da Libertadores

Injustiça

Passado o calor do jogo, já pode fazer algumas análises mais frias da goleada do Grêmio diante do Cruzeiro. Talvez, sempre fosse recomendável esperar mais antes de escrever o artigo, mas para não demorar na atualização do blog (que, aliás, confesso que estou devendo ultimamente), a postagem sobre o jogo não pode demorar muito.

Mas depois do apito final e passado um dia, a goleada de 4×1 diante dos nossos rivais de Minas tem outro sabor. Diante das circunstâncias, não foi nada mais do que obrigação. Por outro lado, fico pensando se o jogo continuasse 11×11. Talvez o Grêmio ainda vencesse o Cruzeiro, pois em todo o jogo atuou melhor do que o adversário, antes mesmo das duas expulsões dos cruzeirenses. Porém atuar melhor uma partida de futebol nem sempre implica necessariamente sair com a vitória.

Muitos cruzeirenses querem a cabeça de Adilson Batista por colocar quatro volantes no Olímpico. Oras, acredito que se trata de um erro duplo. Primeiro porque sem Wagner, quem poderia ser o seu substituto? Talvez o menino Bernardo, mas ainda é um garoto que há pouco se promoveu ao grupo titular, que assim como outros, merece cautela. E num jogo quente diante do Grêmio, por todo histórico ocorrido já na Libertadores, nem fosse uma partida para um jogador inexperiente.

O segundo erro nessa avaliação é o possível substituto de Adilson Batista. Se demiti-lo, quem viria? Não há opção no mercado. Aliás, houve, por pouco tempo quando Luxemburgo e Muricy ainda estavam desempregados. Mas vejamos o Flamengo. Demitiram Cuca e agora o Andrade foi efetivado. O Fluminense demitiu Parreira e voltou a contratar Renato Portaluppi. O que é uma profunda incoerência nas Laranjeiras, se pensarmos bem. Pois se ele foi demitido por não conseguir tirar o Tricolor Carioca da zona do rebaixamento do Brasileirão 2008, então por que fazer a mesma aposta na mesma circunstância um ano depois?

Nessas horas, encho mais ainda de elogios a diretoria gremista nesta questão. Por mais que tenha seus defeitos (e qualidades também), a atual gestão teve paciência para esperar Paulo Autuori e não se deixar levar pelo sucesso súbito de Marcelo Rospide. O mesmo fez o Palmeiras, que contou com o sucesso de Juninho para esperar por Muricy Ramalho.

Mas não vejo o Cruzeiro com tal luxo. Trocar Adilson Batista por Vagner Mancini é trocar seis por meia-dúzia, mas já com prejuízos, pois haveria um tempo de adaptação dos jogadores ao novo técnico. Já trocar Adilson por qualquer outro treinador (Geninho, Carpegiani, Nelsinho…) é para pior. Por isso, se há algum conselho deste gremista aos cruzeirenses, é paciência com o nosso Capitão América.

Adilson viu nossas limitações

Outra coisa que é digno de nota. Adilson Batista enxergou nossas limitações. Sim, a meu ver, o esquema com quatro volantes, uma medida de emergência pela ausência de Wagner, até estava dando certo, antes da expulsão de Jonathan.

Fabinho e Henrique anularam muito bem os nossos meias Souza e Tcheco. Ambos chegaram a fazer inversões de lados, mas pouco adiantou, pois os volantes cruzeirenses marcavam por zona.

E quando os meias somem? Daí surge os laterais. Mas que laterais? Fábio Santos é incógnita. Pode estar num dia perfeito ou numa noite apagada. No caso do último domingo, era uma noite sem brilho algum. Já Thiego é um zagueiro improvisado na lateral-direita. Naturalmente, fica difícil cobrarmos dele ou de Mário Fernandes subidas ao ataque.

E Joilson? É incrível, mas ele é o nosso único lateral-direito e a última das opções para o setor. O GREnal do Centenário foi emblemático quanto a isso. O zagueiro Thiego estava suspenso pelo cartão vermelho totalmente infantil contra o Coritiba. Vez de Joilson? Autuori preferiu apostar no zagueiro e jovem Mário Fernandes, que no segundo tempo teve que sair por cansaço. Vez de Joilson? Nada, foi a vez do volante Makelelê assumir a lateral-direita. Então, o nosso único lateral-direito é a terceira ou quarta opção para o setor.

Com esses problemas sérios nas laterais, nos restam os volantes Túlio e Adilson. Com eles saindo mais, haveria mais espaços para possíveis contra-ataques cruzeirenses. Thiago Ribeiro daria velocidade ao ataque e Wellington Paulista se posicionaria para ser o centro-avante. Por isso, vendo dessa maneira e diante das ausências, Adilson Batista teve méritos. Ele conseguiu enxergar nossas limitações e usou daquilo que tinha em mãos para aproveitar delas.

E o Grêmio somente fez valer de sua superioridade em volume de jogo para a criação de claras chances de gols, quando o Cruzeiro estava com um a menos. Já com dois, virou covardia. É possível sim que o nosso Tricolor vencesse o jogo 11×11, conforme disse antes. Mais provavelmente seria um placar apertado. E se fosse apostar, apostaria em empate. Porém, vencemos por 4×1. Só não podemos mascarar alguns problemas por causa dessa goleada.

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2 Comentários leave one →
  1. agosto 5, 2009 8:16 pm

    Perfeita suas analises Bruno, e acho que mesmo sem expulsão o Grêmio venceria, abraço.

  2. zé da silva permalink
    agosto 6, 2009 12:04 am

    Sou cruzeirense e tb achei mt boas suas análises. Acredito tb q o Grêmio vinha melhor e tinha maiores chances de vitória, mesmo com 11 a 11. Sem Wagner e Kléber, o ataque do Cruzeiro tem sido nulo. Kléber não é apenas um atacante que faz gols decisivos. Trata-se de um jogador que prende mt bem a bola, dá mts assistências, sabe se posicionar para receber passes e tem uma iniciativa de líder que falta nos demais jogadores. A zaga só agora tende a melhorar, com a contratação de Gil, que porá com justiça o Thiago Heleno no banco. E, além do mais, o Grêmio é uma das melhores equipes no Brasil. Acho que tem um conjunto até um pouco melhor que o do seu arqui-rival, o Inter, que contrariou minhas expectativas.

    Pra ser sincero, nunca gostei do Adílson não, mas concordo plenamente com vc em q não há melhor opção atualmente. Ele, aliás, vem melhorando e conhece esse grupo como ninguém, já que foi ele quem montou esse elenco. Parou de inventar coisas que só ele entendia e tem feito um trabalho respeitável. Com o ele, o Cruzeiro passou a ser um time de intensa movimentação, aprendeu a explorar melhor o ataque pelas pontas, alguns jogadores passaram a treinar mais fundamentos e o time como um todo se tornou mais aguerrido, coisa incomum na história recente do Cruzeiro, que dos anos 90 pra cá se tornou mais um time por assim dizer de “toque de bola” do que raça e marcação. O time aumentou seu repertório de jogadas ensaiadas. Hoje em dia, os volantes conseguem transitar mt facilmente entre a marcação no próprio campo e a subida ao campo de ataque, para armarem jogadas de ataque, de modo que o esquema com três volantes é enganador, pq eles ora são defensores, ora meias armadores.

    Acho q há algo de errado é com os jogadores. Não faço idéia se é boicote contra o treinador, imaturidade, burrice ou excesso de vontade de vencer logo o que os leva a fazerem esse excesso de faltas desleais e, acima de tudo, desnecessárias, originando tantas expulsões. O fato é que elas não são casuais e, das agora onze expulsões no Brasileirão, apenas três foram realmente injustas.

    Enquanto escrevo esse comentário, Adílson se reúne com a diretoria do Cruzeiro para decidir seu futuro no clube, após a derrota para o Atlético/PR em casa, quando mais dois jogadores foram expulsos. Nunca pude imaginar que torceria pra esse cara permanecer no Cruzeiro, mas essa é a realidade. E torço tb pq nunca duvidei da dignidade e do profissionalismo dele, apesar de não gostar do trabalho que fazia. E lamento mt que parte da torcida mineira, ao invés de restringir as críticas aos momentos apropriados, tenha usado o momento do estádio para vaiar o treinador, coisa q jamais deveria ocorrer. Enfim, é esperar pra ver no que dá tudo isso.

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