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Como devemos aprender com os argentinos

julho 16, 2009
Foto: REUTERS/Sergio Moraes - UOL

Foto: REUTERS/Sergio Moraes - UOL

Antes de tudo, admito que comemorei muito o título da Libertadores conquistado pelo Estudiantes, colocando abaixo a soberba de boa parte dos cruzeirenses. Mesmo com nosso querido Adilson Batista, o Capitão América, treinando o Cruzeiro, não consegui resistir e torci muito pelos argentinos.

Mas acima de tudo, é preciso louvar mais uma vez a soberania do futebol argentino sobre o futebol brasileiro em Libertadores, muito porque muitos brasileiros ainda relutam em aprender com nossos irmãos argentinos.

Quando ocorreu o empate de 0x0 em La Plata, na primeira partida da decisão do torneio continental, o clima de muitos jornalistas (é bom frisar, não se trata de todos) e de boa parte dos torcedores era de que o Cruzeiro já era campeão.

Enquanto um certo clima de já ganhou contagiava muitos, principalmente os cruzeirenses, os argentinos davam aula de como decidir uma Libertadores. Mesmo com empate em casa, os jogadores dos Estudiantes tratavam a porcentagem de título entre os times em 50% para os dois lados. E ainda que o jogo fosse decidido no Mineirão, a pressão da torcida não surtiria efeito nos jogadores argentinos, pois o que decidiria mesmo seria apenas o futebol jogado entre ambos dentro de campo. Os brasileiros ainda não aprenderam essa lição.

No decorrer do jogo, comecei a torcer mais ainda pelo Estudiantes, por causa de seu futebol extremamente inteligente. O time argentino tocava a bola, não se abalava com o Mineirão, cozinhava o jogo, era frio, tinha um sistema defensivo consistente e era mais perigoso no ataque. O goleiro Andújar trabalhou muito menos em Belo Horizonte do que Fábio em La Plata.

O Cruzeiro chegou ao primeiro gol em chute de Henrique. Mas o Estudiantes manteve a calma, foi para cima de forma consciente, tocando a bola, não se precipitado e esperando a hora certa de dar o bote. E cinco minutos depois, Fernández empatou o jogo.

Era mais uma aula dada pelos nossos hermanos. O Cruzeiro ficou totalmente nervoso quando o Estudiantes empatou, que por sua vez, esteve sempre calmo mesmo quando estava atrás no placar. Assim, o gol de Boselli aos 27 minutos apenas fez justiça ao Estudiantes, merecedor do título da Libertadores.

Pelas arquibancadas, mais uma aula. Eu ouvia muito mais a pequena torcida argentina do que a tal “China Azul” do Mineirão. A torcida cruzeirense pouco apoiou o seu time, calando-se na maior parte do tempo. Já qualquer torcida argentina ou a própria torcida gremista costuma apoiar o seu time durante todo o jogo, mesmo quando está atrás no placar (a exemplo do que ocorreu nas semifinais no Olímpico).

Aliás, por exatamente a Nação Tricolor ter essa característica dos argentinos, já é motivo para muitos torcedores de outros clubes locais nos olharem feio. Grande bobagem. Precisamos aprender com nossos irmãos argentinos em como comportar dentro e fora de campo em decisões. Claro que nós brasileiros também temos qualidade sobre os hermanos, mas ainda há entre muitos torcedores daqui um preconceito totalmente obtuso sobre o futebol argentino. Por isso, a Argentina comemora mais um título de Libertadores em território brasileiro.

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12 Comentários leave one →
  1. Régis permalink
    julho 16, 2009 10:17 am

    O Estudiantes jogou como um time grande, que sabia o que queria, com a determinação de um clube acostumado a jogar uma final de Libertadores, bem característica dos clubes argentinos. É bem certo que o Cruzeiro possui várias qualidades, bons jogadores, porém ontem faltou incorporar a “alma gremista”. Tenho absoluta certeza de que o Grêmio não perderia aquele jogo, pois vejo no clube a frieza para lidar com uma final de campeonato, e na alma de nossa torcida, o combustível para “inflamar” qualquer situação adversa. O importante agora é darmos prosseguimento de vitórias no campeonato brasileiro, ficarmos entre os quatro na classificação final, para, ano que vem, voltarmos ao “topo da América”. Perdemos um jogo ontem, mas isso não interromperá nossa ascensão.

  2. juanderamos permalink
    julho 16, 2009 4:29 pm

    Falo tudo Bruno. Eu tembem não resisti, torci muito pro Estudiantes.

  3. Fredy permalink
    julho 16, 2009 5:28 pm

    O time do Estudiantes me causa saudade do velho Grêmio, forte, aguerrido e castelhano.
    Lamentavelmente hoje temos uma direção que “não quer correria”…

  4. julho 16, 2009 10:16 pm

    …ronaldo

  5. julho 16, 2009 11:49 pm

    Eu torci pelo Cruzeiro ontem, por causa do Adílson, mas não fiquei triste com a (justíssima) vitória do Estudiantes. E foi bonito ver Verón chorar ao final do jogo: voltou ao Estudiantes por amor ao clube e para repetir o feito de seu pai (tricampeão da América em 1968/69/70). Conseguiu.
    Agora, no Mundial terá toda a minha torcida. Avante Estudiantes!

  6. julho 17, 2009 12:02 am

    Sabe Rodrigo, eu quase torci pelo Cruzeiro por causa do Adilson, assim como torci pelo Fluminense de Renato em 2008. Mas depois de alguns comentários arrogantes de cruzeirenses que eu andei lendo, ainda mais falando bobagens sobre o Grêmio, confesso que não deu para torcer para o Cruzeiro, mesmo com o nosso Capitão América. Mas ao ver a expressão de Adilson após o jogo, admito que fiquei um pouco triste por ele.
    Já no Mundial, também torcerei pelo Estudiantes.

  7. Roberto permalink
    julho 17, 2009 6:13 pm

    É isso aí, quarta-feira senti ainda mais orgulho de ser gremista. Li em alguns blogs que depois do gol de empate do Estudiantes a torcida cruzeirense se calou, em vez de inflamar o time como só nós gremistas sabemos fazer. Fosse aqui no Olímpico, talvez um ou outro jogador ainda pudesse pensar em desanimar. Mas bastava olhar para os lados e ouvir a torcida gritando ainda mais alto. Isso contagia qualquer jogador, por mais frio que seja.
    Isso só reforçou ainda mais a minha idéia de que só não estávamos nessa final por falhas do próprio Grêmio, e não por qualquer superioridade cruzeirense.

  8. Marco Aurélio permalink
    julho 18, 2009 3:08 pm

    Caro Bruno,
    Eu sou gremista, por isso só torço pelo Grêmio. Não consigo me sentir inspirado pela vitória do Estudiantes contra o Cruzeiro, nem irei vestir a camisa do Barcelona ou do clube argentino no final do ano, tanto faz, não me diz nada. Gostaria muito que o Grêmio estivesse nessa situação , é isso que me move no futebol. Acho que quando torcemos para um clube com a história do Grêmio, com os títulos conquistados, com tudo o que nos faz sentir, não cabem outros sentimentos. Lamento as possibilidades que nos escapam, os dirigentes que nos cabem e os erros que teimam em se repetir.
    Abraços.
    Marco Aurélio

  9. julho 18, 2009 5:00 pm

    O estilo de jogo do Estudiantes, a entrega, a participação de todos, tudo lembra o GRÊMIO de sempre. Apenas penso que o Veron no GRÊMIO seria perseguido e expulso todo jogo pela arbitragem da colorada CBF. A lição que fica ao GRÊMIO é a de que somos mais parecidos com os argentinos do que aos cariocas, mineiros no jeito de jogar.

  10. julho 18, 2009 5:10 pm

    Diferença fatal: Estudiantes em dois jogos levou um gol do Cruzeiro, nós, até então invictos na Libertadores, tomamos cinco. Ano passado lideravamos o Brasileiro…

  11. Fredy permalink
    julho 19, 2009 12:57 pm

    Nunca torcería por nenhum time do “eixo do mal”, nem para sua seleção brazileira.
    Sou gaúcho e vou torcer pelo meu Grêmio, e se não for possivel vou torcer para nossos hermanos platinos. Cruzeiro é um time fraco, sem alma, sem mistica, sem torcida de verdade, não merecía esta libertadores. Esta copa é para homens não para bailarinas.

  12. Filipe Almeida Hackford permalink
    novembro 8, 2009 3:24 pm

    Já faz um tempo mas…Só pra registrar: nunca me passou pela cabeça torcer pelo Cruzeiro, mesmo que o (verdadeiro)”Capitão América” se beneficiasse. O Grêmio vem antes de tudo, não suportaria ver as “marias” ganhar mais uma “liberta” no mesmo ano que nos eliminaram. E o jogo provou que quem tem Schiavi e o põe pra jogar ri melhor do que quem “Riquelme”.
    Deus obrigado por ter feito o Estudiantes campeão ao inves do Cruzeiro.

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