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Tcheco não é Deus, muito menos um Judas

julho 7, 2009
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Foto: Fernando Gomes - Blog do Wianey Carlet

Foto: Fernando Gomes - Blog do Wianey Carlet

Uma das maiores injustiças que ocorrem no Grêmio nas últimas semanas se depara em relação a Tcheco. Acontece com o capitão algo muito semelhante ao que ocorria com Celso Roth, com o pensamento “vencemos apesar dele, perdemos por causa dele”.

Porém, há uma diferença entre Tcheco e Roth. O nosso ex-treinador, mesmo sendo alvo de muitas críticas injustas, contribuía para a sua demissão, ao dar declarações conflitantes com relação à diretoria. Justamente o que não ocorre entre o camisa 10 e o Grêmio, um dos raros jogadores que têm amor ao clube que joga.

Avaliar Tcheco como imagem do perdedor é cruel e chega a ser desumano com este profissional. Será que é justo culpá-lo pela perda de duas Libertadores e um Brasileiro? Será que foi culpa dele tantos gols serem desperdiçados pelos nossos atacantes ou por falhas defensivas (elementos que garantiram a nossa eliminação na Libertadores 2009)?

Quando ainda estava com Celso Roth, o rendimento de Tcheco caiu e a corneta sobrou.  Mas muitos esquecem que o jogador, com uma idade já avançada, atuava mais recuado, tinha que marcar e ainda criar. Tal situação foi constatada por Paulo Autuori logo que chegou ao Grêmio: “O Tcheco está sacrificando o futebol dele em prol da equipe (…) Acho que no 4-4-2 ele vai estar mais à vontade, mas mudar nesse momento seria imprudente. Posso ajustar, com os três zagueiros, para proporcionar isso a ele e ao Souza”.

Volto a frisar que ainda precisamos de um meia, que Tcheco já se encontra em declínio físico e técnico, chegando ao estágio final de sua carreira. Porém, ele ainda pode ser muito útil ao grupo do Grêmio, pela sua habilidade em cadenciar o jogo (não temos nenhum meia com essa característica), pela sua liderança entre os jogadores , pelo seu profissionalismo e principalmente, algo desvalorizado por muitos: o seu gremismo.

Não considero absurda a hipótese de Tcheco ser um ídolo. Sim, nesse caso, seria um ídolo que se encontra num período de vacas magras. Todo clube atravessa por isso (o co-irmão já ficou entre 1992 a 2006 sem títulos importantes, o Corinthians ficou 23 anos sem título algum, idem com 16 anos de jejum do Palmeiras). E infelizmente, esse período pode ofuscar alguns jogadores que mereciam ser ídolos.

O nosso capitão não é Deus, mas muito menos um Judas. Sozinho, ele não poderá fazer milagres. Se um time tiver atacantes que desperdicem gols, laterais fracos, defesa que passa por um processo de adaptação num novo esquema, Tcheco não terá o poder de compensar a tudo isso. Afinal, quem poderia?

Por isso, colocar a dispensa de Tcheco como condição fundamental para a reformulação do elenco é injustiça para uma pessoa que merece o nosso total respeito pelos seus serviços prestados ao Grêmio. Se estiver numa equipe bem montada, o camisa 10 ainda pode nos ajudar muito, principalmente num contexto em que bons meias de baixo custo são raros.

E esse trecho do blog Perspectiva, sintetiza bem o significado de Tcheco para o Grêmio: “… Tcheco que recusou os milhões dos árabes e preferiu satisfazer o seu desejo (e o da torcida) de jogar no Grêmio; ou do Tcheco que aceitou vir para o Grêmio em 2006, quando recém saímos da Segundona e ninguém – repito: ninguém – queria vir jogar em um clube falido e com um ano muito pouco promissor; ou do Tcheco que garantiu pelo menos duas vezes, de forma decisiva, a classificação do Grêmio para as finais da Libertadores de 2007; ou do Tcheco que tantas vezes entrou em campo sem as devidas condições físicas, porque o Grêmio precisava dele; ou do Tcheco que foi  tantas vezes expulso porque, ao contrário de muitos, “profissionais”, ele não conseguiu controlar-se, não conseguiu ser profissional, não conseguiu manter-se frio diante do roubo descarado, da vigarice, da trama e dos inimigos do Grêmio. O Tcheco que fez tudo o que nós, cada um de nós, verdadeiros e apaixonados torcedores, faríamos no lugar dele.”

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8 Comentários leave one →
  1. Juliano permalink
    julho 7, 2009 6:58 pm

    Discordo de você Bruno, acho Tcheco totalmente dispensável, ele é lento, previsível, não tem força física, não marca bem, além do mais não é um bom líder, já que perde a cabeça facilmente. Sei que não por somente culpa de Tcheco o Grêmio estar mal, mas ele contribui bastante, sabemos que dalí não sai nada de mais. O único ano que Tcheco foi bem no Grêmio foi em 2006, mas também tinha a companhia de Lucas e Hugo. Vejo ele hoje como um reserva desde que contratem alguém, que não é difícil achar alguém com o mesmo futebol e mais disposição. Como já falei antes se manter o Tcheco pelo seu suposto gremismo, pagando a metado do salário dele, jogo no Grêmio e garanto que pelo menos corro mais e mostro mais vontade. Precisamos urgente na verdade antes de jogadores é mudar o perfíl dessa direção, depois disso corremos atrás de um lateral esquerdo e um meia mais qualificado. Fazem dois anos que ganhar o brasileirão ta uma barbada e estamos dispensando essa oportunidade. Infelzimente com essa direção não chegaremos, e para mim o campeonato do Grêmio apartir de agora é criar uma base forte para a disputa da Copa do Brasil 2010. Fora Duda “Obino” e força Grêmio, porque com essa direção vai precisar.

  2. juanderamos permalink
    julho 7, 2009 9:09 pm

    Concordei com o Juliano, com o Tcheco não se chega a lugar nenhum.
    Ele é previsível

  3. julho 7, 2009 9:34 pm

    Juande e Juliano, entendo a opinião de vocês, mas discordo parcialmente. Acho que Tcheco ainda pode ser útil por cadenciar o jogo. Aliás, é o único meia que temos com a característica de pegar a bola e tenta tocá-la aos seus companheiros. Souza é um meia de mais posse e velocidade. Douglas Costa até agora não mostrou seu potencial, enquanto Maylson também não tem essa característica.
    Porém, concordo, precisamos de outro meia, muito por causa da idade avançada de Tcheco. Para mim, ele deve continuar em 2010, mas já alterando entre a titularidade e a reserva, apenas restando saber se ele concordará com isso.
    O que eu não concordo mesmo é eleger Tcheco como o símbolo do fracasso no Grêmio. Podemos reformular a equipe com a sua manutenção. Para o grupo, Tcheco é importante. E o mercado não está tão cheio de meias de boa qualidade e ao mesmo tempo compatíveis com a nossa realidade financeira. Vejam o exemplo do Renato. Desde da gestão Odone há a tentativa de contratá-lo e nada.

  4. Frederico permalink
    julho 8, 2009 5:02 am

    Bruno, concordo 100% com teus comentarios. Considero o Tcheco um dos idolos atuais do Grêmio e reconheço o esforço dele. Também creio que é o unico jogador realmente gremista que temos hoje. Tomara que ele possa terminar a carreira dele com um titulo de expressão no Tricolor.

  5. julho 8, 2009 10:39 am

    Acho que julgar o Tcheco como gênio ou como inútil é errar duas vezes.

    Ele pode e será útil ao time, se jogar em sua posição e tiver ajuda. Não é um jogador diferenciado que vai resolver tudo, tem apenas uma boa jogada de bola parada. Não adianta cricificá-lo, ou o técnico.

    O time vai jogar num 4-4-2 porque é o melhor sistema (acho que é) mas para isso precisa de bons laterais – nesse sistema não é culpa do Tcheco se o time não rende.

    Simples assim. Não adianta a torcida culpar um jogador. Está na hora da gurizada acordar e entender que não se faz um bom time com apenas um jogador. É hora de ganhar esse brasileirão e apagar o fiasco do ano passado, sem crucificações.

    Abs!

  6. Jefferson Menezes permalink
    julho 8, 2009 11:59 pm

    Independente da opinião dos torcedores, é fato que o Tcheco vestiu a camisa do Grêmio e batalhou muito pelo time, sempre demonstrando um gremismo que muitos torcedores não possuem. Temos que agradecer pela sua dedicação e amor à camisa. Gostaria de deixar uma sugestão. Os blogueiros gremistas, que sempre dedicaram seu tempo livre em nos trazer informações acerca do Imortal, poderiam, assim como fizeram em relação à LA’09, criar uma maneira de homenagear este jogador que defende com tanto amor o manto tricolor. O Tcheco é um raro exemplo de dedicação à um clube, e devemos honrar esta atitude. Saudações tricolores. O Blog é ótimo, parabéns.

  7. Eduardo permalink
    julho 17, 2009 1:23 pm

    Tcheco nao, o Capitao Tcheco, simplismente um jogador inteligente(rarissimo). Ele tem lugar em qualquer time lá do brazil.

  8. Joceline permalink
    julho 17, 2009 11:39 pm

    Sou gremista de coração e alma, vou ao Olímpico e admiro o trabalho dos jogadores que amam o clube que defendem. Eu vi a tristeza estampada no rosto do Tcheco após a eliminação na Libertadores. Escutar de certos torcedores que ele é dispensável só comprova a falta de conhecimento de futebol e, muitas vezes, basear a sua opinião na verdade absoluta que a imprensa gaúcha (na sua maioria colorada) quer vender. Gostaria que os torcedores observassem quem tem o passe mais preciso, quem faz a ligação da defesa do Grêmio com o ataque, quem tem a melhor bola parada… com certeza estou falando do Tcheco. Além disso, se ele perde a cabeça é por culpa da arbitragem tendenciosa que na maioria das vezes interpreta as jogadas contra o nosso time. O Tcheco tem que ser visto de acordo com a sua posição e a função que desempenha no esquema tático do Autuori que o adiantou possibilitando que ele se aproximasse mais dos atacantes. Ele tem que criar, abrir espaços e dar passes precisos para os atacantes que devem ser mais eficientes. Acho que esse novo esquema está devolvendo ao Grêmio a possibilidade de sonhar até com o título do Brasileirão.

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