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Frescura e sensacionalismo

junho 28, 2009
Foto: Paulo Fonseca, Efe - retirada do blog de Mário Marcos de Souza

Foto: Paulo Fonseca, Efe - retirada do blog de Mário Marcos de Souza

Essas são as palavras que melhor representam o caso Maxi López e Elicarlos no Mineirão. Com todo respeito ao jogador cruzeirense, mas esse episódio não precisava de tais proporções. E minha opinião não é algo isolado. Até mesmo o grande meia Alex, que jogou no Cruzeiro e atualmente está no Fenerbahçe, acha o mesmo.

Mas por mais que não concorde com a atitude de Elicarlos, ele está no seu direito em prestar queixa. Resta à polícia avaliar se procede ou não essa acusação. Porém, o maior problema foi, mais uma vez, a abordagem do assunto feito por muitos integrantes da imprensa.

O objetivo fundamental do jornalismo é contar os fatos, mas quando um fato (como a acusação de racismo) ainda deixa dúvidas, é preciso ir atrás e evidências. É nisso que mais lamento em grande parte da imprensa esportiva, que abordou o assunto com enorme sensacionalismo e não se preocupa em buscar a verdade, a regras mais sagrada do jornalismo.

Será que houve a preocupação de alguém esclarecer que macaco em espanhol é mono? A palavra macaco para conceituar um primata não existe no idioma espanhol. Com raras exceções, poucos abordaram esse assunto.

Esse episódio lembra o caso Grafite e Desábato, que chegou a ser detido pela polícia ainda no Morumbi. Porém, o que me intriga é o motivo de Edinaldo Batista Líbano ter o apelido de Grafite. Será por que ele é alto, fino e preto, assim como o grafite de lápis? Por que não discutimos se esse apelido, pronunciado por todos, é racial?

Então, quando supostamente um argentino chama o brasileiro de macaquito, ele não se refere a comparação de primata com brasileiro. Caso contrário, seria mais fácil, como esclarece o artigo de Túlio Pires Bragança, eles nos denominarem de moninhos

Ou quando colegas gremistas chamam colorados de macacos? Preconceito? Para muitos sim. Mas o que a grande maioria esquece é que o gremista pode chamar o colorado de macaco, mesmo que ele seja branco. Portanto, a denominação macaco não se refere a um negro, e sim a qualquer colorado, independente de sua cor.

Então, criou-se, infelizmente, um clima desnecessário para a partida de quinta-feira. Não apenas isso, mas também a abordagem desse episódio reforça pensamentos equivocados quanto a esse assunto e até mesmo preconceitos, como de um pseudo-jornalista como Chico Lang (mas vamos perdoá-lo pela tamanho de sua ignorância).

O que eu quero ver na quinta-feira, além da vitória do Grêmio, é um abraço entre Maxi López e Elicarlos. Seria um gesto simbólico, para estremecer verdadeiros preconceitos existentes no nosso país e servir de lição para aqueles que apenas buscam confusão para ganhar ibope. A nossa sociedade precisaria muito mais desse ato do que essa polêmica.

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