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Coluna do Ramão Gremista

junho 2, 2009

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Parte XV

A INSPIRAÇÃO COLORADA

S C Internacional de São Paulo

Segundo Eduardo Bueno em seu livro “GRÊMIO, NADA PODE SER MAIOR” – Ed. Ediouro – 2005, os irmãos Poppe, idealizadores e fundadores do Sport Club Internacional teriam buscado a inspiração para o colorado gaúcho em um clube com o mesmo nome que existia à época, em São Paulo, de onde vieram os irmãos Poppe.

No entanto, temos que reconhecer que o Sport Club Internacional, fundado em 4 de abril de 1909, nasceu com o claro objetivo de se tornar um grande clube o que, com o passar das décadas, acabou por se concretizar. Com esse propósito fixo no pensamento da maioria de seus fundadores, tratou de, logo após sua criação, medir forças com o Grêmio em seu jogo inaugural.

O Tricolor de então era um clube respeitado no contexto esportivo da capital e difícil de ser batido. Mas essa condição do Grêmio, no entendimento dos dirigentes colorados, apresentava-se como uma oportunidade de “queimar etapas”. Um bom resultado no primeiro match de sua história tornaria a nova entidade esportiva reconhecida, projetando-a já no seu “batismo”.

Volto, agora, a referir a narrativa do livro “A HISTÓRIA DOS GRENAIS” de David Coimbra, Nico Noronha e Mário Marcos de Souza, que destaca bem esse ímpeto, marca registrada do colorado desde os primórdios de sua existência:

“O DESAFIO”

Henrique um dos irmãos Poppe

“O primeiro presidente não era nenhum dos entusiastas Poppe. Era o filho do proprietário da sede improvisada do clube, João Leopoldo Seferin, então com 18 anos de idade. Seferin não concordara com aquela loucura de bater-se contra o poderoso Grêmio Porto-Alegrense. Achava a partida uma temeridade e nem integrava o grupo que agora dava as últimas chacoalhadas no bonde Auxiliadora. Mas fora derrotado pelo vibrante Antenor Lemos, pelotense que ingressara no Internacional pouco depois da fundação para moldar a sua feição a história do clube nas décadas seguintes.

Numa tarde do “mês dos lindos poentes”, como os cronistas da época gostavam de referir-se a maio, Antenor Lemos entrou na Alfaiataria Estilo Americana, na Rua Marechal Floriano. Procurou pelo proprietário, o major Augusto Koch, então presidente do Grêmio, e pediu que o veterano clube aceitasse receber uma comissão da novel associação. A reunião foi marcada para o mês seguinte.

Foi Antenor Lemos quem introduziu a comissão, formada por ele, Ortiz, o goleiro e redator do jornal O Estado de S. Paulo, Tomaz Madeira Poppe, e o capitão do time, Juvenalino César, na sala em que os esperavam os próceres do Grêmio. A saber: Koch e os diretores Álvaro Brochado, Guilherme Kallfelz e Júlio Grünewald.

Feitas as apresentações, Ortiz tomou a iniciativa. Tendo o cuidado de ressaltar o handicap do Grêmio – “um clube mais antigo, de mais prestígio e grande conceito” –, disse que o Internacional o convidava para ser seu primeiro adversário “a fim de divulgar o esporte bretão”. Koch aceitou o repto:

– Nosso segundo quadro está à disposição.

Lemos quase pulou da cadeira. Agradeceu a oferta do presidente do Grêmio, mas rejeitou-a. Exigia o primeiro time. E queria jogar no domingo seguinte. Os dirigentes do Grêmio surpreenderam-se com a ousadia. Lemos, no entanto, armou-se com um instrumento que foi, sempre, a maior marca da sua personalidade: a determinação. Tanto insistiu que, como invariavelmente acontecia, conseguiu. O Grêmio colocaria em campo o seu primeiro time, mas só em 18 de julho, pois a agenda do clube estava lotada para os demais fins de semana.

Naquele tempo, não se cobravam ingressos. Além do mais, os dirigentes de ambas as agremiações pretendiam promover um jantar e um baile para depois do jogo. Havia despesas a pagar, portanto. Os colorados anunciaram que a conta era deles. Os gremistas se ofenderam. De jeito nenhum, bradou Koch, o Grêmio paga. Os colorados insistiram e os gremistas ameaçaram cancelar a partida. Só assim os dirigentes do Inter cederam e as despesas ficaram a cargo do Grêmio.

A reunião terminou fraternalmente. Os dirigentes permaneceram na Sociedade Leopoldina até altas horas, brindando com o vinho Esperança, comprado na Casa Comercial de José Pilla, na Rua Mostardeiro, 10, por 4 mil réis, preço especial para comerciantes.”

O match inaugural do colorado estava acertado e, de fato, ocorreu em 18 de julho de 1909. Porém, uma semana antes, o Tricolor enfrentaria, mais uma vez, ao FussBall Club Porto Alegre…

Fontes:

GRÊMIO, NADA PODE SER MAIOR – Eduardo Bueno – Ed. Ediouro – 2005

A HISTÓRIA DOS GRENAIS – David Coimbra, Nico Noronha e Mário Marcos de Souza-  Ed. Artes e Ofícios – 2004

3 Comentários leave one →
  1. junho 4, 2009 10:53 am

    Fazia tempo que não vinha aqui e quando venho, tenho a grata surpresa de ler sobre a história do meu Internacional. Em tempos de confusão sobre as origens coloradas é bom clarear o assunto. Se houve recusa de filiação dos Poppe ou não ao Grêmio é uma questão não respondida. Mas o certo e indiscutível é que o Inter se inspirou no Inter de São Paulo também com descendência italiana e vocação para pluralidade estrangeira. Fico feliz de vir aqui neste excelente espaço. Parabéns Ramão. Parabéns Bruno.

  2. Claudio COLORADAÇO permalink
    junho 13, 2009 4:45 pm

    Pena eu não poder ter vindo mais olhar os blogs , falta de tempo , mas parabens ao Ramão e Bruno , ..mas segundo outros historiadores , tem muito mais coisas ai Ramão sobre os Popes colorados , abraços a todos 🙂

  3. Nelson Ramão permalink
    junho 15, 2009 10:53 pm

    Ah, sem dúvidas, Fabiano e Cláudio! A história daqueles que fizeram, há mais de um século, nascer o Internacional deve ser bem mais rica… Mas, espero que todos entendam, o propósito da Coluna é contar a história do Grêmio. Quando, como nesse caso, as histórias se cruzarem, procurarei fazer o relato necessário para o bom entendimento. Mesmo porque, a partir de 1909, as histórias de Grêmio e Inter, em muitos momentos, é uma só. Acima de tudo, procurarei ser o mais coerente possível, não permitindo que a voz da minha paixão fale mais alto. De qualquer modo, obrigado pela receptividade.
    SAUDAÇÕES TRICOLORES

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