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Coluna do Ramão Gremista

maio 3, 2009

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Parte XIV

1909 – UM ANO MARCANTE NA HISTÓRIA GREMISTA 

Koch continuava na presidência sem, no entanto, integrar a equipe principal. O ano de 1909 começou, para o Tricolor, com a realização de um torneio interno no feriado de Páscoa, mais precisamente em 6 de abril. Segundo Ginfranco Spolaore em seu livro Coração Tricolor – História completa do Grêmio de 1903 a 2007 – Ed. Alcance – 2008, o torneio tinha por objetivo a abertura da temporada anual de futebol e, embora não faça referência aos resultados dos matchs, relata que o acontecimento foi cercado de muito sucesso…

FINALMENTE UM ADVERSÁRIO DIFERENTE 

Em 23 de maio daquele ano, o Grêmio realizaria seu primeiro match contra outro adversário que não fosse o FussBall. O jogo foi contra o Sport Club Rio Grande, o mesmo que em 7 de setembro de 1903 realizara o jogo demostração em Porto Alegre que desencadeou a fundação do Grêmio. O resultado, no entanto, foi desfavorável à equipe gremista que perdeu por 2 a 1.

O NASCIMENTO DO MAIOR RIVAL 

São muitas as versões para o nascimento da mais acirrada rivalidade do futebol brasileiro. Porém, tomei como referência a narrativa contida no livro “A História dos Grenais” de David Coimbra, Nico Noronha e Mário Marcos de Souza – Ed. Artes e Ofícios – 2ª. Edição – 2004, da qual faço a transcrição parcial, que segue:

“OS PRIMEIROS TEMPOS” 

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“Os quatro rapazes elegantes estavam refestelados numa das maravilhosas invenções do início do século 20, naquele frio entardecer de 21 de junho de 1909. Viajavam em um Chope Duplo, apelido do bonde elétrico de dois andares, novidade implantada havia pouco mais de 15 meses em Porto Alegre. Fosse antes de março do ano anterior, fariam o mesmo trajeto num bonde puxado por burros sobre obsoletos trilhos de madeira. É pouco provável, porém, que eles discorressem acerca das facilidades da vida moderna. Deviam estar mais preocupados com o encontro que teriam horas depois, na sede da Sociedade Leopoldina, no bairro Moinhos de Vento. Os diretores do recém-fundado Sport Club Internacional preparavam-se para desafiar o veterano Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense para seu jogo de estréia no novo e já empolgante esporte bretão, o foot-ball.

No centro da cidade, desembarcaram do Chope Duplo, que fazia a pioneira linha Menino Deus, e tomaram um bonde simples da linha Auxiliadora. Passaram pela velha Igreja Nossa Senhora da Conceição e pelo Hospital da Beneficência Portuguesa, pelos casarões dos magnatas da avenida Independência, entre eles os das famílias Torelly, Godoy e Theo Möeller, e bem perto do célebre Fortim da Baixada, onde pretendiam disputar seu primeiro match.

O mais tranqüilo do grupo era também o mais velho, o capitão Graciliano Ortiz, promovido, depois, a coronel. Tinha pretensões políticas e por isso aceitara o pomposo cargo de presidente honorário do clube nascido havia apenas dois meses no porão da casa de João Leopoldo Seferin, no número 141 da avenida Redenção, mais tarde João Pessoa. Quando alguém perguntava ao capitão que história era aquela de team de foot-ball, ele desdenhava, sorrindo:

– É só uma brincadeira desses simpáticos meninos.

Meninos mesmo. Os três irmãos Poppe, Henrique, José e Luis, que deram a idéia de formar um club de foot-ball, tinham menos de 20 anos. Eram paulistas. Estavam no Estado desde 1908, quando montaram uma próspera loja de roupas. Como praticavam o foot-ball em São Paulo, ao chegarem a Porto Alegre tentaram ingressar numa sociedade dedicada a esse esporte. Escolheram o dententor do melhor team da Capital, o Grêmio Porto-Alegrense. Que os rechaçou. A alegação: eram recém-chegados, não tinham nenhuma indicação nem conhecidos ilustres na cidade. A única saída, portanto, era fazer um club de foot-ball deles para eles.

Assim nasceu o Internacional.”

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES 

Cabem, aqui, algumas colocações importantes. Tanto o Grêmio quanto outras entidades esportivas de então eram, por assim dizer, entidades sociais direcionadas à prática esportiva. Para que um candidato a sócio tivesse sua proposta aceita, haviam regras rígidas, previstas em estatuto, como a indicação de um sócio, ficha de bons antecedentes e, até, comprovação de residência na capital há um determinado tempo. Ora, os irmãos Poppe acabavam de chegar à cidade e, mesmo sendo pessoas idôneas, precisariam enquadrar-se às regras que regiam a entidade a qual pretendiam filiar-se. Tais procedimentos para a aceitação de novos sócios em entidades sociais no Estado, ainda vigoravam até a década de 1970… Essas regras começaram a mudar muito recentemente, portanto, quando o poder aquisitivo e a posição social do candidato passaram a falar mais alto… Volto a frisar que em 1909 os clubes de futebol eram entidades sociais direcionadas para a prática do futebol de forma amadora e, quando digo “amadora”, não refiro à forma pejorativa que o termo adquiriu com o tempo, mas, sim, praticado pela simples paixão pelo esporte.

Fontes: 

CORAÇÃO TRICOLOR

Gianfranco Spolaore – Ed. Alcance – 2008

 

A HISTÓRIA DOS GRENAIS

David Coimbra, Nico Noronha e Mário Marcos de Souza

Ed. Artes e Ofícios – 2004 

PostScriptum: Este é o artigo número 700 do blog Grêmio 1903, em seu um ano e cinco meses de atividade.

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