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Coluna do Ramão Gremista

abril 8, 2009

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Parte X

 

1905, UM ANO DE AFIRMAÇÃO

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Para o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, 1905 foi um ano de afirmação como entidade e de invencibilidade no campo. O Tricolor realizou somente quatro jogos naquela temporada e todos contra o mesmo e já tradicional adversário: o FussBall Club Porto Alegre. No primeiro match, realizado em 12 de março, vitória gremista por goleada: 4 a 0. O jogo era válido pelo torneio de disputa da Taça Wanderpreis. No segundo match do ano, jogado em 18 de março de 1905, nova vitória gremista, agora por 3 a 0. O terceiro confronto foi realizado em 7 de maio e o resultado foi um empate em 1 a 1. Por fim, o último jogo do Grêmio em 1905 aconteceu em 10 de setembro e também era válido pela disputa da Wanderpreis. Nova vitória tricolor, desta vez por 2 a 0. Assim, o Grêmio encerraria a temporada de 1905 afirmado e de forma invicta, contabilizando três vitórias e um empate. A invicta equipe do Grêmio de 1905 formava com: Carlos Depperman, João Stelczyk, Ernesto Geyer, Augusto Koch, J. Black, João Geski, Álvaro Brochado, H. Boore, Pedro da Costa Huch, Guilherme Kallfelz e Júlio Grünewald (Theodoro Schröeder). O êxito alcançado pelo Grêmio naquele ano deixou encaminhada a conquista definitiva da Taça Wanderpreis para 1906 o que, de fato, acabaria acontecendo.

É fácil de perceber que naqueles primórdios da história futebolística do país, do Estado e, principalmente, da capital gaúcha, o problema dos raros clubes praticantes do esporte bretão era encontrar adversário para jogar. Tudo leva a crer que a prática do futebol mais intensa e rotineira ficava restrita aos embates entre os quadros A e B da mesma equipe (muitas vezes, os matchs de treinamento eram disputados, também, entre solteiros e casados). Por outro lado, podemos imaginar a grande expectativa que deveria cercar os matchs entre Grêmio e FussBall, ainda mais havendo um troféu em disputa. Afinal, como entidades esportivas gêmeas, qualquer um que vencesse a disputa da Taça Wanderpreis, estaria conquistando em definitivo o primeiro troféu de sua história.

 

NO COMANDO DE SIEBEL

 

Oswaldo Siebel que, além de presidir o clube, também era o goalkeeper em 1904, fechava o seu segundo ano de mandato na presidência com louvor. Os excelentes resultados obtidos pelo team fortaleceram a entidade em seus primeiros anos de vida. A atuação de Oswaldo Siebel na presidência do Grêmio foi tão intensa em seu primeiro mandato que mereceu o seguinte comentário do jornalista Archymedes Fortini sobre o presidente gremista:

 

“Oswaldo Siebel, o papae grande, como é chamado no Grêmio, este tem empregado esforços para ver o seu filho progredir, não falta um só domingo no ground.”

 

FORTINI, O AFRICANO

 

Apenas para registro, o jornalista Archymedes Fortini era imigrante italiano nascido na Argélia e, por isso, identificado por alguns biógrafos como “Fortini – o africano”. Foi reconhecido pelo Tricolor Gaúcho como batalhador incansável da causa do foot-ball…

 

CARLOS DEPPERMAN

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Em 1905, no entanto, Siebel entregara a árdua missão de defender a meta gremista a Carlos Depperman. O novo goalkeeper tricolor fechou as traves do Grêmio, sofredo apena um gol em quatro matchs oficiais disputados.

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5 Comentários leave one →
  1. abril 9, 2009 12:03 am

    Muito interessante. Me diz uma coisa, tu faz alguma pesquisa atrás desses dados? Onde tu costuma buscar fontes? E as fotos e tudo mais? Eu sou estudante de História e tenho tentado preparar um projeto de mestrado, e um dos temas que eu gostaria de trabalhar é história do futebol; então realmente agradeceria essa informação. Valeu.

  2. Nelson Luiz Ramão permalink
    abril 9, 2009 12:36 pm

    Caro Bruno! Os conteúdos apresentados na Coluna são fruto, principalmente, de narrativas da história gremista, disponíveis em livros e revistas de diversas épocas. Também me socorro de alguns depoimentos de “velhos torcedores gremistas” e, mais raramente, de algum artigo publicado na internet. Vale ressaltar que os autores dos livros que consulto nem sempre têm a mesma referência sobre um determinado fato. Nesses casos, utilizo a informação que aparece com maior frequência. O ideal seria a consulta direta junto ao Memorial Hermínio Bittencourt! Mas como resido no interior do Rio Grande do Sul, há mais de 300 km da capital, essa consulta fica inviabilizada, infelizmente. Em alguns casos, formulo uma teoria muito pessoal baseada em evidências que vou encontrando aqui e ali. Ou para rever algum detalhe que não fica muito claro nas fontes consultadas, ou para formular uma nova tese e abrir um debate, o que só nos acresce em conhecimento. Quanto às fotos, elas estão disponíveis nas publicações a que me referi e, também, em alguns sites como o “Coleção Grêmio” do Gianfranco Spolaore, por exemplo. Hoje, tenho um acervo de, aproximadamente 20 livros e revistas que tratam da história do Grêmio e mais de 5 mil fotos. Quando não disponho de uma foto em condições razoáveis de detalhe, faço uma ilustração do tema, como no caso dos uniformes gremistas de 1903 e 1904, postados há alguns dias. É isso! No mais, é pura satisfação em reunir material e dividí-lo com os gremistas, o que me foi oportunizado pelo Bruno Coelho no blog “Grêmio 1903”.
    Um grande abraço
    SAUDAÇÕES TRICOLORES

  3. ANDRÉ ROCHA permalink
    abril 9, 2009 8:43 pm

    Parabéns, que História tem o nosso imortal tricolor!!!!

  4. abril 10, 2009 1:27 am

    E quais são os livros e revistas que tu costuma consultar? Principalmente pra esse período mais antigo, da primeira metade do século passado e tal. E como tu tem acesso a eles? Tu tem um acervo particular, ou acesso a algum outro acervo ou arquivo? Imagino que dê pra encontrar alguma coisa interessante no acervo do Museu Hipólito José aqui em POA também, que tem um grande arquivo de jornais e revistas tal, mas é sempre bom achar outros acervos interessantes. Aliás, seria interessante se tu pudesse sempre indicar no fim do texto as fontes e referências que tu usou pra coletar as informações, isso já seria de grande ajuda.

    Bem, mais uma vez, valeu =)

  5. Nelson Luiz Ramão permalink
    abril 10, 2009 11:35 am

    Bruno! Como referi na resposta anterior, disponho de um pequeno acervo de publicações que tratam da história do Grêmio e/ou fazem referência a ele. Alguns dos livros de que me socorro são: Grêmio, Nada Pode Ser Maior – Eduardo Bueno; A história dos Grenais de David Coimbra, Nico Noronha e Mário Marcos de Souza; Coração Tricolor do Gianfranco Spolaore; Airton Pavilhão, o zagueiro das Multidões de Celso Sant’Anna; Gauchão, a história ilustrada de uma tradição; Revista Imortal Tricolor; Revista Placar; Revista Nação Tricolor; Revista do Grêmio (anos 70); Revista História Ilustrada do Grêmio (anos 80). Além desses, tem mais dois ou três livros que estão emprestados como um do Ruy Carlos Osterman sobre o centenário gremista, por exemplo. Bem, na medida do possível, até que tenho feito referência às fontes nos meu texto… Mas procurarei ser mais cuidadoso…
    SAUDAÇÕES TRICOLORES

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