Inversão de campo para Goiás e São Paulo

2008 Dezembro 4
by Bruno Coelho

bezerraoEstádio Bezerrão

A localidade do jogo Goiás e São Paulo gera polêmica ultimamente. Por conta da punição imposta pelo STJD, por causa do incidente em que os torcedores esmeraldinos e cruzeirenses brigaram em jogo válido pela 33ª rodada do campeonato, o clube goiano perdeu seu mando de campo, no Serra Dourada, para o restante do Brasileirão. Sem poder atuar em seu estádio, o Goiás mandou o seu jogo para Estádio Juscelino Kubitschek,  localizado na cidade de Itumbiara, na 35ª rodada, contra o Botafogo.

O Goiás queria levar a partida novamente para a Itumbiara, mas desta vez, a CBF interveio, conforme explica o diretor de competições da entidade, Virgílio Elísio: “O Goiás queria levar o jogo para Itumbiara. O estádio bom, a cidade é boa, mas com todo o respeito a Itumbiara, eu não poderia levar a decisão do campeonato para o interior de Goiás. Considerei Cuiabá, mas o incômodo seria maior. Falaram em Maracanã, mas aí haveria a inversão da região. O Goiás jogaria no Sudeste, região do São Paulo. Aí, sim, haveria inversão de mando de campo. O Mané Garrincha está em obras. Logo, a solução era o Bezerrão. Eu, pessoalmente, tomei a decisão”.

Verificando a história das finais do Campeonato Brasileiro, essa atitude Virgílio Elísio não se justifica. Noa final do Campeonato Brasileiro de 1991, entre São Paulo e Bragantino, a segunda e decisiva final foi realizada no estádio Marcelo Stéfani, em Bragança Paulista. O local tinha uma capacidade inferior a 13 mil torcedores (foi registrado um público de 12 492). Outro exemplo nas mesmas condições vem da do Brasileirão 2001, quando São Caetano e Atlético Paranaense fizeram a final no Anacleto Campanella, com público de 20 mil torcedores. O Estádio Municipal Juscelino Kubitschek, segundo a Federação Goiana de Futebol, possui capacidade para 38 mil pessoas.

A decisão da CBF caracteriza sim em inversão de mando de campo. No Serra Dourada, já há muitos são-paulinos quando o clube paulista atua no local, já no Distrito Federal isso tende a ser mais acentuado. Segundo o blog do Mauro Cezar Pereira, isso fere o regulamento da própria entidade presidida por Ricardo Teixeira, conforme o artigo 24, mas a CBF poderia ignorar esse item em “situações excepcionais”. Mas o que seria excepcional? Se o estádio JK teve capacidade de organizar uma partida entre Goiás e Botafogo, por que não no jogo entre o clube esmeraldino e o São Paulo? Ou estádio tem condições ou não tem. Caso não tenha condições, sendo assim, nenhum jogo poderia ser realizado ali. Aí a CBF cai numa grande contradição.

Pensando nisso, Paulo Odone cogitou a hipótese de entrar com uma ação no STJD, para mudar o local de jogo. Mas logo desistiu, pois segundo o presidente gremista, não havia nada a ser feito judicialmente, visto que a decisão foi realizada pela CBF. E é sempre bom lembrar que a entrada com ações em órgãos externos ao meio futebolístico, não é bem vista por suas organizações, principalmente pela FIFA.

Então, segue as decisões incoerentes da CBF quanto ao caso. O pior de tudo isso é que não podemos nem reclamar, sem citar os nossos próprios dirigentes. Afinal, qual deles quer se indispor com Ricardo Teixeira & Cia., ainda mais quando estamos próximos de uma Copa do Mundo? No final das contas, perde o campeonato, que vê seu equilíbrio ser desconfigurado por decisões políticas, ou quem sabe, obscuras.

4 Respostas leave one →
  1. 2008 Dezembro 4
    Nelson Luiz Ramão permalink

    Caro Bruno! Gosto de ditos populares. Diz-se que o povão, na sua simplicidade, está coberto de sabedoria. Para todas as situações sempre cabem as expressões, tão próprias das experiências de vida e passadas de geração a geração. Então, aí vai:
    1. Na minha humilde opinião, o STJD está “como Deus fez a mandioca”, tudo torto!
    2. Nós somos bairristas, tudo bem. Mas eles são especialistas em “puxar a brasa para o próprio assado”, convenhamos…
    3. Quanto às “malas brancas” (eu pensei que eram pretas – se a imprensa gaúcha se der conta, vão “criar” mais um caso de racismo…), voltando, quanto às “malas brancas”, acho que o S. Paulo julga os outros por si mesmo, devem ter o pensamento do tipo “e o que Maria leva nisso?”.
    4. De qualquer modo, conseguimos algo novo para este Brasileirão: levamos a decisão para a última rodada. O Brasileirão 2008 poderia entrar para a história como o campeonato “mais trancado do que pau de enchente”.
    5. Apesar de tudo,continuo acreditando, mesmo com as derrotas e empates que poderíamos ter evitado, porque “há males que vem para o bem” (ou, como diria um amigo, conterrâneo de Uruguaiana: “há malas que vem pelo trem”)…
    6. Mas, o que eu mais gosto é: “Deus não joga, mas fiscaliza”. E já que o Teixeirinha, que hoje está lá encima, escreveu que “Deus é gaúcho, de espora e mango…, quem sabe Ele não nos dá uma forcinha?…
    Abraços.

  2. 2008 Dezembro 5
    Fredy permalink

    Não entendo isso de que há riscos em ficar “mal” com a CBF/FIFA.. Em que nos perjudicaría isso ? Se fizerem a Arena do Grêmio, ela será para os gremistas, estou pouco me lixando se haverá jogos da copa ou não no nosso estádio.

  3. 2008 Dezembro 5
    Nelson Luiz Ramão permalink

    Estou com você, Fredy! Jogos da Copa do Mundo na Arena está longe de ser o mais importante. As únicas vantagens são a projeção, por ser um estádio particular e o aspecto financeiro…

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