Vidas que seguem

2008 Julho 4
by Bruno Coelho

Foto: Arivaldo Chaves

Não vou julgar o Roger pela sua saída. Posso dizer que ela poderia ser realizada de uma maneira melhor, mas Roger sai e a vida continua. É mais um capítulo da dura realidade dos clubes brasileiros, que não conseguem segurar os seus principais jogadores, nem mesmo, para países da Ásia.

Entendo também a revolta de Paulo Odone, mas não procede o próprio comparar a saída de Roger é semelhante a de Ronaldinho. O jogador foi emprestado pelo Corinthians, recebia R$ 265mil, sendo que ficava para o Grêmio R$ 65 mil, enquanto o restante ficava para o clube paulista. Obviamente, o Corinthians combinaria uma multa rescisória de pequenos R$ 300 mil, para a primeira proposta, o jogador ser vendido. Portanto, não adianta nos revoltarmos agora. Quando o Grêmio o contratou, tínhamos que ter consciência dessa oportunidade. A única chance de ficar com o nosso ex-camisa 10, seria esperar o término do contrato entre ele e o Corinthians. Mas aí, obviamente, Roger teria que ganhar bem mais do que R$ 65 mil reais, o que é incompatível, numa fase em que se fala em baixar a média salarial em R$ 150 mil reais no Olímpico.

O que fica chato é que Roger falava em encerrar a carreira no Grêmio, mas obviamente, haveria um preço para isso, no qual, dificilmente seria pago pelo Imortal, ainda em recuperação financeira. Então, podemos lamentar que as palavras de encerrar a carreira no Olímpico não se tornaram uma realidade, entretanto, eu não duvidarei das palavras de Roger sobre o Grêmio. Acredito em sua sinceridade e carinho pelo Grêmio, mas infelizmente, o dinheiro falou mais alto. E não podemos ser hipócritas, o mundo atual, ou melhor, a sociedade vigente é assim, sempre briga para alcançar novos e mais altos patamares financeiros. No novo clube árabe, o jogador vai receber US$ 5 milhões em dois anos. Claro que nem tudo há preço. O amor de nós gremistas ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense não tem preço, apesar disso, não é assim com todos, como Roger, o que não significa que o jogador não tenha carinho pelo Imortal.

No lado da diretoria, eu entendo a decisão de Paulo Odone. Obviamente, ele fez certo. O Grêmio não pode se tornar refém do Roger e esperar que ele volte do Catar, sem jogar contra o Botafogo, para receber um “sim” ou “não” do meia. O Grêmio é maior do que o jogador, não se pode ficar de braços cruzados esperando por Roger. Ou ele quer jogar no Imortal ou ele quer ganhar o seu dinheiro fora. Portanto, a decisão de Paulo Odone, de não permitir a ida de Roger ao Catar em vigência de contrato com o Grêmio, foi a mais acertada.

Apenas agradeço a Roger pelos cinco meses que ele vestiu a camisa 10 do manto sagrado do Imortal Tricolor. Dentro de campo, foi um guerreiro, quebrando todas as expectativas, mostrando que é um craque. E Roger deve agradecer ao Grêmio por dar a ele a motivação que lhe faltava para jogar o seu verdadeiro futebol.

Roger atuou 22 partidas pelo Grêmio, fez 10 gols e se tornou o nosso principal jogador em campo.

E não guardo mágoas, apenas ressalvo que a sua saída poderia ser mais honrosa. Apenas desejo sorte ao jogador em sua nova vida em solo asiático. E as vida seguem, tanto a de Roger, quanto a do Grêmio

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