Parando para pensar – Parte 1

2008 Abril 8
by Bruno Coelho

O Pensador, de Auguste Rodin

Depois da derrota contra o Juventude, é preciso pensar em alguns detalhes da situação em que o Grêmio se encontra. Por muito tempo neste blog, eu tentei disfarçar até aquilo mesmo que eu sentia ser a verdade, pois o meu lado torcedor do Imortal falava mais alto. No entanto, a realidade é algo imbatível, não adianta fugir dela ou criar subterfúgios, pois assim, você estará sendo hipócrita com você mesmo e lutando em vão contra a verdade, que no final, sempre aparece. Dentro de um contexto semelhante a esse, dá para dizer que eu estava mais ou menos nesta situação com algumas coisas no Imortal. Só que eu resolvi pensar, refletir um pouco sobre a situação. Para começar, prefiro escrever, inicialmente, sobre Celso Roth e Paulo Pelaipe.

Celso Roth

Para começar, vamos analisar Celso Roth. O seu retrospecto não é animador, eu sabia disso, por isso mesmo, fui contra a sua contratação, pois a volta dele seria uma retrocesso. Mesmo assim, preferi não ficar metendo bronca após a confirmação de sua volta, preferi esperar e dar apoio, e acreditar que desta vez, as coisas seriam diferentes. Pois não foram. E para não parecer muito demagogo, vamos direto aos fatos.

Celso Roth é técnico há 20 anos. Seu trabalho como técnico começou no Al Qadsia Sporting Club, do Kwait, em 1988. O treinador ficou aproximadamente dois anos no clube. Um recorde na carreira do Roth. Depois disso, Roth ficou pulando de galho em galho, nunca conseguiu realizar um trabalho em longo prazo em clube nenhum. E em 20 anos de carreira, Celso Roth conquistou cinco títulos: Copa Daltro Menezes de 1996 (pelo Caxias), Campeonato Gaúcho de 1997 (pelo Internacional), Campeonato Gaúcho de 1999 (pelo Grêmio), Copa Sul de 1999 (pelo Grêmio) e Copa Nordeste de 2000 (pelo Sport). O ápice da carreira de Roth como treinador foi de 1996 a 2000. E só. Antes e depois disso, Celso Roth ganhou absolutamente nada. E pegando os seus últimos oito anos, Roth passou por nove clubes (Grêmio – 2000, Palmeiras – 2001, Santos – 2002, Internacional – 2002, Atlético Mineiro – 2003, Goiás – 2004, Flamengo – 2005, Botafogo – 2005, Vasco da Gama – 2007, Grêmio – 2008). Como é possível ter uma expectativa num retrospecto desses? Impossível, e hoje, a probabilidade, de que Roth não ficará muito tempo no Grêmio, é muito alta. Agora, se a eliminação no Gauchão não foi o bastante para ele ser demitido, talvez tenhamos que esperar a eliminação da Copa do Brasil ou uma péssima campanha no Brasileiro.

Agora vamos fazer um paralelo com Mano Menezes, que tem 11 anos como treinador, começou pelo Guarani em 1997, mas na sua primeira chance num clube grande, o Grêmio, de 2005 a 2007, Mano conquistou três títulos em quase três anos de trabalho. Ele conquistou um Brasileiro da Série B, dois Campeonatos Gaúchos e ainda foi finalista da Copa Libertadores da América. Ou seja, num tempo muito menor do que o Roth, Mano Menezes conseguiu realizar um trabalho a longo prazo e conquistou façanhas até mais importantes. O ex-técnico gremista, que hoje se encontra no Corinthians, é uma aposta para o futuro. Mano Menezes tende a crescer, enquanto Roth está num declínio na sua carreira.

Outro exemplo é de Vagner Mancini. Iniciou a sua carreira em 2004, fez um excelente trabalho no Paulista, que resultou num título de Copa do Brasil em 2005 e ficou em Jundiaí até 2007. Três anos de trabalho num mesmo clube, quatro anos como técnico, e um título nacional (algo que o Roth não conseguiu em 20 anos). E Mancini foi demitido por ser considerado ofensivo demais. Vai entender… Ou melhor, dá para entender, mas quando se entende o tamanho da incoerência desse caso, e também da falta de respeito com o profissional no desenrolar de sua demissão, é impossível não ficar um tanto indignado com isso.

Poderia realizar outras comparações, mas isso seria perda de tempo, pois seria escancarar o óbvio. Pelo retrospecto de Roth, ele não fica muito tempo no Grêmio. Quando será exatamente a sua iminente demissão? Pode ser no momento em que for eliminado da Copa do Brasil ou no Campeonato Brasileiro, no decorrer das rodadas. Pode ser que ele dê a volta por cima e conquiste a Copa do Brasil ou faça uma excelente campanha no Brasileiro? Claro que sim, torço para isso, como qualquer gremista, porém isso segue contra uma lógica coerente, lógica que se resulta dos últimos anos de trabalho de Celso Roth. E se ele continuar a inventar posições e escalações no Grêmio, não restará dúvida que o seu futuro no Olímpico será curto. O time do Grêmio é razoavelmente bom, não passa disso, não há habilidade técnica o suficiente para conseguir contornar maluquices do técnico. Com esse time, é preciso ser arroz com feijão, e não uma salada. Resta saber se o Roth acordou ou vai continuar a bancar o senhor onisciente, sem nenhuma moral para isso. Afinal, se fosse um Luxemburgo a fazer isso, até poderia perdoar, pelo seu retrospecto, mas o Roth não tem essa bagagem.

Paulo Pelaipe

Nunca neguei os méritos de Pelaipe no Imortal. Em 2006, ele conseguiu montar um time interessante, que fora campeão gaúcho no Beira-Rio, que começou o Brasileiro dando um banho de bola no campeão Corinthians, e que conseguiu uma vaga para a Copa Libertadores. Libertadores a qual chegamos numa final. Claro que aos trancos e barrancos, sempre garantindo as vagas no Olímpico, onde o Grêmio podia contar com seu principal craque: a torcida. Numa crescente comum, como manda um roteiro razoavelmente realista, o Grêmio nem sequer deveria chegar a uma final de Libertadores, afinal, o time não só vinha da Série B, como ainda se recupera financeiramente e assim não há muitas condições de formar um time de alto nível como manda a história do Imortal nas suas grandes conquistas. Mesmo assim, na base da garra, da experiência em Libertadores, o Grêmio foi eliminando equipes com uma fase financeira melhor, como o São Paulo e Santos. Mas não conseguiu eliminar o Boca Juniors. Claro que o Larrionda em La Bombonera deu uma bela ajudinha, mesmo assim, a diferença entre os dois times era evidente, ainda mais quando há um craque de verdade, chamado Juan Román Riquelme. E mesmo sem Riquelme, não sei se o Grêmio conseguiria bater o Boca, sinceramente, não acredito muito.

Mas em suma, o que eu quero dizer é que dentro de um contexto de recuperação, que se iniciara em 2005, o Grêmio chegar a uma final de Libertadores em 2007 é um feito, o que mostra mais uma vez a sua força no futebol sul-americano. E Pelaipe teve participação nesse processo.

O problema, que também se mostrou evidente em 2007, é a falta de profissionalismo de Pelaipe. Chega a ser patético, ver um dirigente brigar num aeroporto, por exemplo, como ocorreu quando este encontrou o Mário Sérgio Petraglia, dirigente do Atlético Paranaense. Num mundo futebolístico que exige um profissionalismo cada vez maior, eu me envergonho quando vejo o Pelaipe arrumar uma confunsão atrás da outra, até briguinha em aeroporto (com direito a perda de um dente), o que me deixa preocupado também, pois é a imagem do Grêmio que está em jogo. Quando vem um dirigente que faz briguinhas com outros, é a imagem de um clube que fica em apuros. Hoje, é necessário ser profissional, ou seja, não criar atritos sem sentidos, pois num futuro próximo, o Grêmio pode negociar com esse time. Da mesma maneira que eu acho uma burrice um jogador ofender uma torcida (como foi o caso do Thiago, do Juventude, no jogo do último domingo) ou o clube, pois nunca se sabe o amanhã, afinal, ele pode precisar desse clube e dessa torcida.

O time de 2007, é sempre bom deixar claro, que depois da final da Libertadores, o Grêmio perdeu Carlos Eduardo e Lucas, perdeu uma série de outros jogadores no decorrer do Campeonato Brasileiro, por lesões ou suspensões do STJD (com um dirigente destemperado, o time também pode ser facilmente influenciado). Chegamos no final de 2007, com Mano Menezes precisando contar com Jonas no ataque ou Ramón no meio, isso sem contar as outras grandes contratações, como Marcel, Kelly e várias outras pérolas que hoje, graças a Deus, se encontram longe do Olímpico. Mesmo assim, ficamos em quinto, o que foi um milagre.

Outra coisa irritante em Pelaipe é quando ele abre a boca pra falar. Podem apostar, vai sair merda (desculpem a expressão). Quando Hugo saiu em 2006, para o São Paulo, Pelaipe nos deixou claro, que não haveria problemas, pois tínhamos nada mais e nada menos do que Léo Lima e Ramón. Olhem que maravilha. Léo Lima foi dispensado ainda na Libertadores, teve a proeza de ser dispensado no mesmo ano pelo Flamengo, e hoje se encontra no Palmeiras, com o Luxemburgo dando um jeito nele. Ramón…? Meu Deus! Como era complicado agüentar esse cara em campo, e hoje, ainda bem, se encontra na Portuguesa, sonhando com uma vaga na seleção brasileira (como disse em uma entrevista, agora, não me perguntem se ele falou sério ou foi piada mesmo).

Tudo bem, vamos dar um desconto, afinal, ele trouxe Diego Souza para 2007. Mas a saída dele para o Palmeiras foi um atestato, de mais uma falta de profissionalismo e incompetência, além claro, de ingenuidade. Ingenuidade porque estava na cara que o Benfica queria dar o troco por não ter levado Carlos Eduardo, quando perderam a concorrência para o Hoffenheim. Então, a partir do momento em que o Grêmio perdesse o prazo de preferência na compra do jogador, cujo último dia foi no 31 de dezembro de 2007, parecia claro que o Benfica não negociaria com o Grêmio. Tanto é, que o Grêmio, ajudado pelo grupo paulista GTS, que bancou 80% dos 4 milhões de euros exigidos pelo Benfica, ofereceu uma proposta maior do que os 3,75 milhões de euros do Palmeiras da Traffic. Onde ele está agora? No Palmeiras… E outra coisa que me fez sentir inveja do profissionalismo dos dirigentes palmeirenses neste caso. Em nenhum momento, o Palmeiras, através de seus representantes, afirmou que Diego Souza seria alviverde, antes da oficialização da contratação. No Grêmio, Pelaipe já distribuía para os quatro ventos que Diego Souza ficaria. Isso é profissionalismo? Depois desse caso, senti certa inveja dos clubes que possuem dirigentes que saibam se comportar como profissionais. E num futebol cada vez mais mercadológico, profissionalismo é a palavra-chave. Como é que alguém pode investir num clube, onde há um dirigente que fala bobagens, queima a língua, arruma brigas, cria atritos com outros profissionais, como Pelaipe faz? Não há como. Isso sem citar Mano Menezes. Eu li um artigo interessante no Apito do Blackão, em que Pelaipe garantiu a permanência de Mano Menezes para 2008. Mas o que vimos foi a sua saída, que hoje está no Corinthians. Como é que podemos contar com um dirigente que mente para a sua própria torcida, a mesma que ele diz que é dona do Grêmio e que a respeita? Não há como.

Em 2008, Pelaipe traz Mancini, para iniciar um novo trabalho. Mas houve, mais uma vez, atrito por parte de Pelaipe, que por sua vez, demitiu Mancini (com ordem de Paulo Odone, claro), após a vitória contra o Jaciara por 1×0. Mancini estava invicto até ali, com 77% de aproveitamento, mas segundo Pelaipe, o time não possuía defesa, não teria futuro, ou seja, era ofensivo demais. Mas Mancini sempre fora assim. Desde o Paulista de Jundiaí, Mancini se mostrava um técnico mais preocupado em armar o ataque do que a defesa. Ou seja, foi uma estupidez contratar Mancini e pensar que ele seria um novo xerifão, como Felipão e Mano Menezes. E o pior foi gastar mais de um milhão de reais para trazê-lo para Porto Alegre para nada. Onde está esse um milhão de reais? No lixo. Para um time que se recupera financeiramente, é um pecado mortal (apesar da imortalidade gremista) tomar esse tipo de atitude. Parece que estamos nadando em dinheiro. Ah se a realidade fosse assim, mas ela não é. Agora estamos com Roth. Mas ele se mantém no cargo, mesmo com duas derrotas, uma eliminação, e uma bagunça tática, principalmente na defesa, onde seria o calcanhar de Aquiles de Mancini no Grêmio. Contra o Juventude e Atlético Goianiense, as derrotas de 3×2 e 2×1 ficaram baratas, o Grêmio poderia ser goleado. No entanto, mantendo a “coerência”, Pelaipe mantém Roth.

Resumindo, apenas encerro com um pedido: “Pelaipe, obrigado pelo que fez, mas está na hora de sair. Vai pra casa, velho”.

PS: Desculpem se existirem falhas na construção do texto, fiz correndo esse artigo, e à tarde eu arrumo o que estiver errado. Falou!

3 Responses leave one →
  1. 2008 Abril 8

    CARA TU TIROU AS PALAVRAS DA BOCA DE TODA A TORCIDA DO GRÊMIO MEU IRMÃO. É TUDO ISSO E MAIS UM POUCO. COMO GREMISTA E UM CARA MODESTAMENTE DE BEM COM TUDO E TODOS FIQUEI COM MUITA VERGONHA DE TUDO QUE O PELAIPE APRONTOU ANO PASSADO. ABRAÇO.

  2. 2008 Abril 9
    claudio coloradaço é claro permalink

    Que jornal heim bruno ? rsrsr ;-)

  3. 2008 Abril 9
    pedro permalink

    O time do mancini não tomaria 3 gols da forma que o grêmio levou do ju…

    Maior erro foi a contratação/demissão do Mancini e contratação do Roth… o resto foi consequência…

    Pelaipe calado é um gênio!!!

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